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Quaresma Tempo de Penitência - Cardeal Orani João Tempesta

Nestes dias de Quaresma, queremos renovar a nossa fé através de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com orações mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade mais aplicada a fraternidade.

A penitência e a prática que nos impomos, em primeiro lugar, não são exclusivas deste tempo. Toda a nossa vida deve ser imbuída deste espírito se quisermos seguir a Cristo. A ascese faz parte de nossa caminhada espiritual. Porém, para vencer a inconstância, que é característica do ser humano, são importantes tempos fortes para retemperar a nossa vontade através de uma inteligência do mistério da cruz redentora. É um tempo de retomar com mais vigor essa caminhada ascética. 

Oração, jejum e misericórdia - São Pedro Crisólogo

O que a oração pede, o jejum o alcança e a misericórdia o recebe

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

Sem oração, não há Salvação

Os teólogos, como São Basílio, São João Crisóstomo, Clemente de Alexandria e outros, como o próprio Santo Agostinho, ensinam que a oração para os adultos é necessária, não somente por ser um mandamento de Deus, mas também por ser um meio necessário para a salvação.

Isso quer dizer que, segundo a ordem comum da Providência, é impossível que um cristão se salve sem pedir as graças necessárias para a sua salvação.

O mesmo ensina São Tomás:Depois do Batismo, a oração contínua é necessária ao homem para poder entrar no Céu. Embora sejam perdoados os pecados pelo Batismo, sempre ainda ficam os estímulos ao pecado, que nos combate interiormente, o mundo e os demônios que nos combatem externamente”. 

Quaresma: exame de consciência, arrependimento e penitência

Estamos em tempo de Quaresma, próximos da Semana Santa e em momento de reflexão. Por isso, se confessar é muito importante e essencial para a vida espiritual. O cristão, pelo menos uma vez ao ano deve se confessar em preparação para a Semana Santa e é nesta época pascal que os que ainda não o fizeram, devem aproveitar para receber o sacramento.

A confissão é dividida em três pontos principais: exame de consciência, arrependimento e penitência.

Quaresma: Privar-se de algo é libertar-se das servidões

“Sem Jesus Cristo o homem permanece para si mesmo um desconhecido, um enigma indecifrável, um mistério insondável; pois só Jesus Cristo revela o homem ao próprio homem.” (João Paulo II)

A Quaresma tem um significado para nós: ela há de tornar patente aos olhos do mundo que todo o Povo de Deus, porque pecador, se prepara com a Penitência para reviver liturgicamente a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Cristo. 

Para que serve o “Jejum”?

Digamos alguma coisa sobre o jejum, pois muita gente, ignorando sua utilidade, pensam que ele não é necessário. E outros, o que é ainda mais grave, rejeitam o jejum como algo inteiramente supérfluo. Ademais, quando não se conhece bem o seu uso, pode-se fazer dele facilmente uma prática supersticiosa.

O jejum santo e reto visa a três diferentes finalidades: primeiro, para domar a carne, a fim de ela não se anime em excesso; a seguir, para mais bem dispor o coração à prece, à oração e outras santas meditações; enfim, para dar testemunho de nossa humildade diante de Deus, quando queremos confessar perante ele o nosso pecado. 

Oração da sexta-feira da 2ª Semana da Quaresma - Igreja Católica

Meditar é abrir a Alma para Deus

Como se faz a meditação:

Coloco-me diante de Nosso Senhor que me ensina uma verdade ou uma virtude. Estimulo em mim a sede de harmonizar a minha alma com esse ideal. Lastimo tudo quanto, em mim, lhe for contrário. Decido combater os obstáculos, persuadido de que nada conseguirei sozinho e que tudo poderei obter pela oração.

No momento da meditação:

Esforço-me por trazer ao espírito uma cena muito expressiva, que substitua as minhas preocupações e distrações. Cena capaz de me empolgar e de me colocar na presença de Deus, que no seu amor infinito, quer ser o meu interlocutor. Imediatamente depois, impõe-se um ato de adoração profunda. Humilho-me, profundamente, diante de Deus, faço um ato sincero de contrição, e uma oração humilde e confiante para que Deus abençoe esta meditação. 

Oração da quarta-feira da 2ª Semana da Quaresma - Igreja Católica

Quaresma: Jejum, Penitência e Oração

Em nossos relacionamentos com as pessoas, existe um ritual que nós realizamos naturalmente, sem perceber. Por exemplo, quando queremos agradar uma pessoa a quem amamos, fazemos-lhe carinho, dizemos-lhe palavras boas, damos a ela alguma coisa, um objeto, um presente, que é nosso, de que nós gostamos, mas que queremos dar a ela como gesto de amizade.

De outras vezes, quando magoamos alguém, queremos fazer de tudo para apagar aquele gesto impensado: pedimos desculpas, lastimamos o nosso procedimento, até que sentimos que aquilo ficou esquecido. Nós nos penitenciamos diante das pessoas que amamos. Penitência é um ato de amor.

Oração da terça-feira da 2ª Semana da Quaresma - Igreja Católica

Como viver a Quaresma - Pe. Ednaldo Virgílio

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

Oração da segunda-feira da 2ª Semana da Quaresma - Igreja Católica

Exercícios espirituais: morte de Jesus, verdadeira porque escandalosa - Quaresma

Um olhar de “amor profundo” a Cristo crucificado. O frade menor o evocou na reflexão matutina, detendo-se sobre a morte do Messias narrada no Evangelho segundo São Mateus. Uma morte “real”, não “aparente”, esclareceu imediatamente o pregador franciscano.

“Não somente os discípulos têm dificuldade de acreditar que tenha voltado à vida, e isso é verdade; mas isso é possível propriamente porque morreu verdadeiramente.”

E os detalhes que descrevem a morte de Jesus são tão “incômodos”, tão cruentos, como por exemplo o grito na Cruz, que fazem parte daqueles que são habitualmente definidos “critérios de desconcerto”, que nos levam a dizer que tais particulares não podem ter sido criadas: efetivamente, foram escritas porque dizem realmente “algo daquilo que aconteceu”. 

Exercícios espirituais Pe. Michelini: Judas e o risco de perder a fé - Quaresma

“Judas e nós: o risco da perda da fé”

O risco de perder a fé, o suicídio e a missão da Igreja em busca dos pecadores: foram os temas candentes sobre os quais se deteve o pregador dos Exercícios espirituais, Pe. Giulio Michelini, na quinta meditação. A reflexão foi centralizada na figura de Judas.

De fato, a meditação matutina do frade menor girou em torno do drama do suicídio de Judas, um dos Doze. Um evento escandaloso e desconcertante, que porém o Evangelho não esconde. Um drama evidenciado também pelo arrependimento de Judas que no Evangelho segundo São Mateus reconhece ter pecado porque traiu sangue inocente.

Como viver a Quaresma - Pe. Ednaldo Virgílio

Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.

O período é um retiro espiritual voltado à reflexão, onde os cristãos se recolhem em oração e penitência para preparar o espírito para a acolhida do Ressuscitado no Domingo de Páscoa. A proposta específica deste tempo favorável é a conversão. O convite é lançado a cada fiel que se coloca na fila dos que desejam acompanhar o caminho de Jesus para a páscoa: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). É a conversão buscada e acolhida na penitência, na oração, na reflexão, para entrar no mistério central da pessoa e da vida de Jesus: Sua Paixão, Morte e Ressurreição. 

Exercícios espirituais: abrir os olhos diante da angústia dos outros - Quaresma

“A oração no Getsêmani e a prisão de Jesus (Mt 26, 36-46)”

Em sua reflexão, Pe. Michelini partiu de uma comparação entre a oração de Jesus no monte das Oliveiras e a do monte Tabor, na Galileia. As duas situações têm semelhanças impressionantes: em todas as duas a situação existencial de Jesus é de provação (no primeiro caso, porque Pedro e os outros não compreenderam o sentido do primeiro anúncio de Jesus que dissera que deveria morrer em Jerusalém; no segundo, porque Jesus acabara de anunciar que alguém haveria de entregá-lo), disse o religioso.

Em todos os dois casos Jesus chama a si os discípulos, Pedro, Tiago e João, e estes não entendem plenamente o que está acontecendo com Jesus. Porém, um elemento separa as duas cenas: no Tabor se ouve a voz do Pai que consola o filho; no Getsêmani, ao invés (exceto na versão de Lucas, onde Jesus é encorajado na luta por um anjo), não se ouve nenhuma voz, observou o pregador. 

Exercícios espirituais: reencontrar a unidade em torno da Ceia do Senhor - Quaresma

“O pão e o corpo, o vinho e o sangue”

Na Última Ceia: festa e comunhão, mas também pecado e fragilidade.

A dimensão antropológica, teológica e existencial do cear juntos. Daí partiu a meditação do frade menor. “Colocou-se à mesa com os Doze” – está escrito no Evangelho segundo São Mateus –, neste cear juntos está a beleza da partilha, explicou o pregador, mas também a nossa humanidade, o pecado e a fragilidade simbolizados no alimento, como narram muitos episódios bíblicos, até a encíclica “Laudato si” do Papa Francisco, quando  fala de egoísmo em relação ao alimento: