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Liturgia Diária Comentada 23/10/2016 30° Domingo Comum

30ª Semana do Tempo Comum - 2ª Semana do Saltério
Prefácio dos domingos comuns - Ofício dominical comum
Glória - Creio - Cor: Verde - Ano “C” Lucas

Santo do Dia: JOÃO DE CAPISTRANO

Antífona: Salmo 104,3-4 Exulte o coração dos que buscam a Deus. Sim, buscai o Senhor e sua força, procurai sem cessar a sua face.

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!


Primeira Leitura: Livro do Eclesiástico 35,15b-17.20-22a (gr. 12-14.16-18)

O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o Altíssimo intervenha, faça justiça aos justos e execute o julgamento. - Palavra do Senhor.

Comentário: A 1ª leitura (que poderia ser estendida um pouco mais, para que melhor apareça seu sentido) fala que Deus não conhece acepção de pessoas e faz justiça aos pequenos (pobres, órfãos, viúvas, aflitos, necessitados). Deus toma partido pelos pobres e oprimidos, porque é o Deus da justiça: não conhece acepção de pessoas, escolhe o lado dos oprimidos. Em matéria de ofertas, não é a grandeza ou riqueza do dom que importa, mas a atitude de quem o oferece e a disposição em ajudar os necessitados (35,1-5). Isso é dito em oposição à maneira dos poderosos, que querem agradar a Deus por meio de sacrifícios perversos (Eclo 35,14-15a[11]). Oferecer a Deus o fruto da exploração é tentativa de suborno (35,14)! Deus não se deixa comprar pelas coisas que lhe oferecemos, pois não necessita de tudo isso. Deus é reto, ele atende os oprimidos e necessitados. Ele nos considera justos, amigos dele, quando lhe oferecemos um coração contrito e humilde (Sl 51[50],18-19). Nesse sentido, o salmo responsorial acentua: Deus atende ao justo e ao oprimido (Sl 34[33],2-3.17-18.19+23). (Pe. Johan Konings, sj)

Salmo: 33(34),2-3.17-18.19.23 (R.7a.23a)
O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos.

Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!

Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta.

Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera.

Segunda Leitura: 2ª Carta de São Paulo a Timóteo 4,6-8.16-18

Caríssimo: Quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta. Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças; ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu Reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. - Palavra do Senhor.

Comentário: Neste domingo, termina a lectio continua da Segunda Carta a Timóteo, que é o emocionante testamento espiritual de Paulo. No fim de seu percurso, Paulo abre seu coração: “Estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. Combati o bom combate, guardei a fé” (4,6). O exemplo vale mais que as palavras. Paulo não só pregou; trabalhou com suas próprias mãos. No fim de sua vida, ele tem as mãos amarradas, e outros escrevem por ele. Mas ele não fica amargurado. Suas palavras revelam gratidão e esperança. Ele ficou fiel a seu Senhor e aguarda agora o encontro com ele (4,5). Paulo sabia-se pecador, pecador salvo pela graça de Deus (1Tm 1,13; cf. Gl 1,11-16a; 1Cor 15,8-10). Na base dessa experiência, anela pelo momento de se encontrar com Aquele que, por mera graça, o tornou justo, o “Justo Juiz”, que o justificará para sempre, enquanto diante do tribunal dos homens ninguém tomou sua defesa (2Tm 4,16). O mistério desta vida de apóstolo era a caridade, mistério de toda vida fecunda. Ela não tem fim (1Cor 13,8) e completa-se no oferecimento da própria vida (cf. Rm 1,9; 12,1). (Pe. Johan Konings, sj)

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 18,9-14

Naquele tempo, Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: “Dois homens subiram ao Templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda’. O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo:

‘Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!’

Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”. - Palavra da Salvação.

Comentários:

Deus nos considera justos, ou seja, amigos dele, quando lhe oferecemos um coração contrito e humilde. Por isso, engana-se completamente o fariseu de quem Jesus fala no evangelho: acha que pode impressionar Deus com suas qualidades aparentes, seus sacrifícios e boas obras puramente formais, sem extirpar de seu coração o orgulho e o desprezo pelos outros. No tempo de Jesus, os fariseus, e hoje, os “bons cristãos” usurpam a religião para se convencer a si mesmos e aos outros de sua justiça; desprezam os outros e querem negociar com Deus na base de suas “boas obras”. Porém, é a atitude contrária que encontra aceitação junto a Deus: a humilde confissão de ser pecador (cf. Sl 51[50],3). Quem já se declarou justo a si mesmo, como o fariseu, não mais pode ser justificado por Deus. O publicano, porém, que reza de coração contrito, se reconhece pecador e se confia à misericórdia de Deus, este é considerado justo e volta para casa “justificado”. Lucas acrescenta uma lição moral: “Quem se enaltece, será humilhado; quem se humilha, será enaltecido” (Lc 18,14). Mais profunda ainda é a lição propriamente teológica, refrão da teologia de S. Paulo: quem se declara justo a si mesmo com base em suas obras rituais – como faziam os fariseus, convencidos de que a observância da Lei lhes dava “direitos” perante Deus – não é declarado justo por Deus, pois Deus é “inegociável” e declara alguém justo (reconciliado) com base na sua misericórdia e amor gratuitos. A justificação é de graça, para quem entra na órbita do amor de Deus, pondo-lhe em mãos a vida inteira, com pecados e fraquezas. Diante de Deus, todos ficamos devendo (cf. Sl 51[50],7). Os que se justificam a si mesmos, além de serem orgulhosos, são pouco lúcidos! Portanto, melhor é fazer como o publicano: apresentarmo-nos a Deus conscientes de lhe estar devendo, e pedir que nos perdoe e nos dê novas chances de viver diante de sua face, pois sabemos que Deus não quer a morte do pecador, mas sim que ele se converta e viva (Ez 18,23). Esse pensamento deve extirpar a mania de se achar o tal e de condenar os outros: a autossuficiência. Mas, para afastar a autossuficiência é preciso, antes, outra coisa: a consciência de sermos pecadores. Ora, isso se torna cada vez mais difícil na atual civilização da sem-vergonhice. O ambiente em que vivemos trata de esconder a culpabilidade e, inclusive, condena-a como desvio psicológico. Que a culpabilidade neurótica passe do confessionário para o divã do psicanalista é coisa boa, mas não convém encobrir o pecado real. Tal encobrimento do pecado acontece tanto no nível do indivíduo quanto no da sociedade: oficialização de práticas opressoras e exploradoras nas próprias estruturas da sociedade, leis feitas em função de uns poucos etc. Para sermos lúcidos quanto a isso, cabe observar que a autojustificação, entre nós, já não acontece ao modo do fariseu, que se gabava das obras da Lei de Moisés. Agora acontece ao modo do executivo eficiente, que tem justificativa para tudo: para as trapaças financeiras, a necessidade da indústria e do desenvolvimento nacional; e para as trapaças na vida pessoal, o estresse e a necessidade de variação… Hoje, já não são os fariseus que se autojustificam, mas os novos publicanos, que dizem: “Graças a Deus eu sou autêntico, eu não escondo o que faço, não sou um fariseu hipócrita como aquele catolicão ali na frente do altar”! Seja como for, saber-se pecador é o início da salvação. Isso vale para todos, ricos e pobres, mas para os pobres é mais fácil, porque estão em dívida com tantas coisas que se dão mais facilmente conta de serem devedores. Ora, pecador não é apenas aquele que transgride expressamente a Lei, mas todo aquele que não realiza o bem que Deus lhe confia. Pensando nisso, reconheceremos mais facilmente que temos “dívidas”, como se rezava na versão antiga (e mais literal) do Pai-Nosso. Por isso, a liturgia começa com o ato penitencial. Antigamente, primeiro recitava-o o padre, depois os fiéis – não se sabe por que a nova liturgia suprimiu esse costume… Em consonância com o evangelho, aconselha-se o prefácio IV dos domingos do tempo comum: Cristo nos justificou por sua morte. (Pe. Johan Konings, sj)

A parábola do fariseu e do publicano aponta para dois diferentes tipos de piedade, representando posições extremas. O discípulo do Reino deve decidir-se pela maneira correta de agradar a Deus, evitando os caminhos enganosos. A piedade farisaica, baseada na prática cotidiana da Lei, em seus mínimos detalhes, tinha seus defeitos: era cheia de orgulho, uma vez que levava a pessoa a olhar com desprezo para os considerados pecadores e incapazes de perfeição; pregava a segregação das outras pessoas, por temor de contaminação. Os fariseus julgavam-se com direito de exigir de Deus a salvação, em vista dos méritos adquiridos com sua vida piedosa. A piedade do povo simples e desprezado, como o cobrador de impostos, tem outros fundamentos: a humildade e a consciência das próprias limitações e da necessidade de Deus para salvá-lo, a certeza de que a salvação resulta da misericórdia divina, sem méritos humanos, o espírito solidário com os demais pecadores que esperam a manifestação da bondade de Deus. A oração do fariseu prepotente e egoísta dificilmente será atendida. É uma oração formal, da boca para fora. Já a oração do publicano é totalmente humilde, porque ele reconhece que sua salvação vem de Deus. Só a oração sem estardalhaço é ouvida! (Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta)

Fonte: CNBB - Missal Cotidiano (Paulus)
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