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Roteiro Homilético 24º Domingo do Tempo Comum Ano “C”

Primeira Leitura

Livro do Êxodo 32,7-11.13-14

Moisés subiu ao Monte Sinai para falar com Deus e recebeu as duas Tábuas da Lei nas quais estavam gravados os Dez Mandamentos. Durante o tempo em que Ele esteve a falar com o Senhor, os Israelitas fabricaram um bezerro de ouro e entronizaram-no como seu deus, realizando uma festa em sua honra.

Este impressionante diálogo entre Deus e Moisés põe em evidência os elementos fundamentais da história da salvação, a saber, a aliança, o pecado, a fidelidade divina e a sua misericórdia. O texto foi escolhido em função do Evangelho: as parábolas da misericórdia.


11 «Moisés procurou aplacar o Senhor». É uma figura de Cristo Mediador, que também subia frequentemente ao monte para orar: Moisés intercede muitas vezes em favor do povo pecador: Ex 5 22-23; 8,4; 9,28; 10,17; Nm 11,2; 14,13-19; 18,22; 21,7. E Deus aceita esta oração, que faz apelo à sua fidelidade à aliança e à sua misericórdia (v. 14).

Segunda Leitura

Carta de São Paulo a Timóteo 1,12-17

S. Paulo, na Primeira Carta ao seu discípulo Timóteo, dá testemunho da misericórdia do Senhor e proclama que também ele beneficiou dela. O mesmo pode dizer cada um de nós, recorrendo à experiência da própria vida.

Iniciamos hoje a leitura de textos respigados das chamadas Cartas Pastorais, escritos paulinos dirigidas a pessoas singulares, pastores da Igreja, com normas para a organização das comunidades de Éfeso (1 e 2 Tim) e de Creta (Tit). O texto desta leitura é um maravilhoso hino de ação de graças de Paulo pela sua vocação de Apóstolo, bem consciente da sua indignidade – «blasfemo, perseguidor, violento», embora de boa fé, «por ignorância» (v. 13) – e da grandeza do dom de Deus, uma «graça que superabundou» (v. 14). Esta ação de graças culmina numa doxologia final, de sabor litúrgico (v. 17).

15 «É digna de fé…» Esta fórmula solene, própria das Cartas Pastorais (cf. 1 Tim 3,1; 4,9; 2 Tim 2,11; Tit 3,8), põe em relevo a importância doutrinal do que se diz neste versículo, um dos pontos centrais da fé cristã: a obra redentora de Cristo, que «por nós homens e pela nossa salvação desceu dos Céus…» (Credo de Niceia). A misericórdia que Deus mostrou para com Paulo é suficiente para inspirar confiança a qualquer pecador que queira arrepiar caminho.

Evangelho

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 15,1-32

A misericórdia do Senhor é o amor gratuito de Deus a cada um de nós, recomeçando sempre, todas as vezes que nos afastamos d’Ele.

A leitura de hoje, na sua forma longa, engloba todo o cap. 15 de S. Lucas, com as três parábolas da misericórdia divina; todas as três põem em evidência a alegria que Deus sente com o reencontro com o pecador, representado na ovelha perdida (vv. 4-7), na dracma perdida (8-10) e no filho perdido (11-32). Nas duas primeiras, Deus é representado à procura do pecador; na terceira, no impressionante acolhimento que lhe presta. Estas parábolas são exclusivas do Evangelho de S. Lucas; a parábola da ovelha perdida também aparece em Mt 18,10-14, mas num outro sentido: visa o cuidado que os chefes da Igreja devem pôr em não deixar que se perca nenhum dos pequeninos, isto é, aqueles fiéis que pela sua fragilidade correm mais risco de se perderem.

Alguém considerou a parábola do filho pródigo «o evangelho dos evangelhos». É a mais bela e a mais longa das parábolas de Jesus, impregnada duma finíssima psicologia própria de quem no-la contou, Jesus, que conhece a infinita misericórdia do coração de Deus, que é o seu próprio coração, e que penetra na profundidade da alma humana (cf. Jo 2,25), onde se desenrola o tremendo drama do pecado. «Aquele filho, que recebe do pai a parte do património que lhe corres­ponde, e abandona a casa para o desbaratar num país longínquo, vivendo uma vida libertina, é, em certo sentido, o homem de todos os tempos, começando por aquele que em primeiro lugar perdeu a herança da graça e da justiça original. A analogia neste ponto é muito ampla. A parábola aborda indiretamente todo o tipo de rupturas da aliança de amor, todas as perdas da graça, todo o pecado» (Encíclica Dives in misericordia, nº 5; ver tb. Catecismo da Igreja Católica, nº 1439).

12 «Dá-me a parte da herança»: segundo Dt 21,17 pertencia-lhe um terço, havendo só dois filhos. O pai podia fazer as partilhas em vida (cf. Sir 30,28ss).

13 «Partiu…»: o pecado do filho foi abandonar o pai, esbanjar os seus bens e levar uma vida dissoluta.

14-16 «Uma grande fome: é a imagem do vazio e insatisfação que sente o homem quando está longe de Deus, em pecado. «Guardar porcos» era uma humilhação abominável para um judeu, a quem estava proibido criar e comer estes animais impuros. Esta situação para um filho duma boa família era absolutamente incrível, o cúmulo da baixeza e da servidão. As «alfarrobas»: o rapaz já se contentaria com uma tão indigesta e indigna comida, mas, na hora de se dar uma ração dessas aos porcos, ninguém se lembrava daquele miserável guardador! Aqui fica bem retratada a vileza do pecado e a escravidão a que se submete o homem pecador (cf. Rom 1,25; 6,6; Gal 5,1). O filho pretendia ser livre da tutela do pai, mas acaba por perder a liberdade própria da sua condição: imagem do pecador que perde a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rom 8,21; Gal 4,31; 5,13) e se sujeita à tirania do demónio, das paixões.

17 «Então, caindo em si…» A degradação a que a loucura do seu pecado o tinha levado fê-lo refletir (é o começo da conversão) e enveredar pela única saída digna e válida.

18-19 «Vou-me embora»: A tradução latina (surgam = levantar-me-ei) do particípio gráfico (mas não ocioso) do original grego – «levantando-me, vou ter…» – é muito mais expressiva do que a tradução litúrgica, pois, duma forma viva, indica a atitude de quem começa a erguer-se da sua profunda miséria.

«Pequei contra o Céu e contra ti»: nesta expressão retrata-se a dimensão transcendente do pecado; não é uma simples ofensa a um homem, é ofender a Deus, uma ofensa de algum modo infinita! O filho não busca desculpas, reconhece sinceramente a enormidade da sua culpa.

«Trata-me como um dos teus trabalhadores». É maravilhoso considerar como naquele filho arrependido começa a brotar o amor ao pai; o que ele ambiciona é ir para junto do pai, estar junto a ele é o que o pode fazer feliz! Melhorar a sua situação material não é o que mais o preocupa, pois, para isso, qualquer proprietário da sua pátria o podia admitir como jornaleiro; assim a parábola não descreve uma atitude interesseira do filho, mas a humildade e a contrição de quem se reconhece pecador. Por outro lado, ele não se atreve a pedir ao pai que o admita no gozo da sua antiga condição de filho, porque reconhece a sua indignidade: «já não mereço ser chamado teu filho».

20 «Ainda ele estava longe, quanto o pai o viu». Este pormenor faz pensar que o pai não só desejava ansiosamente o regresso do filho, mas também, muitas vezes, observava ao longe os caminhos, impaciente de ver o filho chegar quanto antes, uma enternecedora imagem de como Deus aguarda a conversão do pecador. «Encheu-se de compaixão»: o verbo grego é muito expressivo e difícil de traduzir com toda a sua força, esplankhnístê: «comoveram-se-lhe as entranhas» (tà splánkhna). «E correu…»: é impressionante o contraste entre o pai que corre para o filho e o filho que simplesmente caminha para o filho – «a misericórdia corre» (comenta Sto. Agostinho); «cobrindo-o de beijos», numa boa tradução que tem em conta a forma iterativa do verbo grego, é uma belíssima e expressiva imagem do amor de Deus para com um pecador arrependido!

21 «Pai, pequei». Apesar de se ver assim recebido pelo pai, o filho não se escusa de confessar o seu pecado e de manifestar a atitude interior que o move a regressar.

22 «A melhor túnica, o anel, o calçado», são uma imagem da graça, o traje nupcial (cf. Mt 22,11-13); assim nos espera o Senhor no Sacramento da Reconciliação, não para nos ralhar, recriminar, mas para nos admitir na sua antiga intimidade, restituindo-nos, cheio de misericórdia, a graça perdida.

23 «Comamos e festejemos», a imagem da Sagrada Eucaristia, segundo um sentido espiritual corrente.

25-32 «O filho mais velho»: esta segunda parte da parábola não se pode limitar a uma censura dos fariseus e escribas (v. 2), cumpridores, mas insensíveis ao amor – o mais velho é que é, no fim de contas, o filho mau –; a parábola é também uma lição para todos, a fim de que imitem a misericórdia de Deus para com um irmão que pecou (cf. Lc 6,36); ele é sempre «o teu irmão» (v. 33), e não há direito de que não se tome a sério a misericórdia de Deus, com aquela despeitada ironia: «esse teu filho» (v 30). A misericórdia de Deus é tão grande, que ultrapassa uma lógica meramente humana; esta segunda parte da parábola põe em evidência a misericórdia de Deus a partir do contraste com a mesquinhez do filho mais velho.

Sugestões para reflexão

1. O afastamento dos caminhos de Deus

Moisés subiu ao monte Sinai para receber as tábuas da Lei e permaneceu ali em diálogo com o Senhor bastante tempo.

Cansados de esperar, os hebreus recolheram objetos de ouro, fundiram-no, e com ele fabricaram um bezerro de ouro e aclamaram-no com deus, realizando grandes festejos para celebrar o acontecimento.

Moisés, cheio de ira santa, quebrou as tábuas da Lei, mas logo intercedeu pelo Povo que o Senhor lhe confiara, para que perdoasse este grave pecado de idolatria. Ele aparece nesta passagem, com a sua mediação, como uma figura de Jesus Cristo.

Em nossa caminhada pelo deserto, rumo à Terra da Promissão, também fabricamos ídolos para que ocupem o lugar do verdadeiro Deus.

a) Os nossos ídolos. «Fizeram um bezerro de metal fundido, prostraram-se diante dele, ofereceram-lhe sacrifícios e disseram: ‘Este é o teu Deus, Israel, que te fez sair da terra do Egito’»

Embora afirmemos com muita convicção de que adoramos um só Deus, como se preceitua no Primeiro Mandamento, também fabricamos a adoramos ídolos, à semelhança dos hebreus.

– A sensualidade. Está a contaminar tudo: o namoro, o matrimónio, a família e os momentos livres.

Para mais, perdeu-se a delicadeza de consciência no que diz respeito a esta matéria. As pessoas são capazes de palavras, atitudes e espetáculos que ofendem gravemente a Deus e aproximam-se da Sagrada Comunhão tranquilas como se tivessem a alma limpa.

– O ventre. Já S. Paulo se queixava daqueles cujo deus é o ventre. A gula, a boa mesa, o esbanjamento em comidas e bebidas é um sinal dos nossos dias.

– O dinheiro. Somos tentados a correr atrás dele, sem olhar à justiça nem à religião. Arranjam-se trabalhos durante a semana e no fim de semana. Não fica tempo para participar na Missa dominical, nem para a oração ou vida de família. Ganha-se mais para gastar mais. Os pais confundem amor aos filhos com dar-lhes muitas coisas. Muitas vezes, quando pretendem ajudá-los, é demasiado tarde.

Cometem-se injustiças nos tribunais para se apoderarem do que não lhes pertence, e fazem-se dívidas que não se pagam.

– A afirmação pessoal. Procura-se uma ostentação de um falso nível de vida, para impressionar os outros.

b) A mediação. «Por que razão, Senhor, se há de inflamar a vossa indignação contra o vosso povo, que libertastes da terra do Egito com tão grande força e mão tão poderosa?»

Moisés intercede pelo Povo que o Senhor lhe confiara, para o conduzir através do deserto, e obtém para ele o perdão de Deus.

Em Fátima, Nossa Senhora pediu-nos esta mediação suplicante: «Vão muitas pessoas para o inferno, por não haver quem reze e se sacrifique por elas.»

Em vez de nos deixarmos arrastar por um escândalo farisaico e cair murmuração que nada soluciona, rezemos pelas pessoas e, se pudermos, procuremos ajudá-las.

c) A conversão pessoal. O Povo de Deus arrepende-se e promete fidelidade ao Senhor. Desta conversão fez parte a destruição do mal – do bezerro de ouro – e a penitência: depois de reduzido a pó o ídolo (bezerro de ouro) o Senhor mandou lançá-lo em água e dá-la a beber aos Israelitas, como que para significar uma destruição total daquele gesto condenável dos hebreus.

Toda a conversão se concretiza nisto: destruir os ídolos e voltar-se para Deus definitivamente, embora possa haver fragilidades.

2. O caminho do regresso

a) O Senhor deseja o nosso regresso e espera-o. «Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um pecador que se arrependa.»

Por vezes, as pessoas têm medo de regressar a Deus, com receio de não serem acolhidas. Transferem para a Sua relação com Deus as experiências amargas da convivência com as outras pessoas neste mundo.

Nas três parábolas da misericórdia, Jesus Cristo ensina-nos que a maior alegria que podemos dar a Deus é regressarmos ao Seu Amor e aceitar o Seu perdão generoso. As portas da Sua misericórdia estão sempre abertas e convidam-nos a entrar. Nós próprios sentimos continuamente dentro de nós o Seu chamamento.

b) A decisão é nossa. Nas parábolas da ovelha tresmalhada e da dracma perdida não há manifestação de uma nem de outra para serem encontradas, porque não têm vontade.

Na parábola do filho pródigo, o caso é muito diferente. Ele dá largas ao seu sonho ingénuo de ser feliz longe de toda a lei e de todo o amor e acaba por reconhecer o seu erro.

Curiosamente, não foi a dor do sofrimento que tinha causado aos seus que o levaram ao regresso, mas a fome, a ameaça de morte.

A sua decisão está expressa na palavra: «Levantar-me-ei!» No primeiro momento em que manifestarmos ao Senhor que estamos mal e queremos libertar-nos desta situação, Ele virá em nosso auxílio.

c) A confissão, caminho do regresso. Jesus deixa muito claro que o regresso tem uma orientação necessária: ir ao encontro do Pai e reconciliar-se com ele. A Igreja ensina que não há outro caminho ordinário e normal para o perdão dos pecados a não ser a confissão e a absolvição individuais. Estamos perante um dogma de fé que a Igreja professou sempre e, num dado momento da sua história, se viu forçada a defini-lo.

Mesmo quando, em perigo de vida e noutras situações que ela aponta, é indispensável, depois, a confissão individual dos pecados.

Nesta parábola, Jesus ensina-nos como nos havemos de confessar.

– Cair em si. É o reconhecimento da situação em que nos encontramos. Sem a consciência de que temos pecados, não receberíamos validamente a absolvição. Fazemos isto, por meio do exame de consciência.

– Propósito de emenda. Trata-se de abandonar a vida de escravidão em que nos encontrávamos e regressar à liberdade: «Levantar-me-ei e irei ter com meu pai!»

Sem esta mudança radical de propósito não há conversão e, por isso, não há confissão verdadeira.

– Confissão sincera. Este jovem declara a sua culpa ao chegar junto do pai: «Pequei contra o Céu e contra ti!»

– Humildade profunda: «Já não sou digno de ser chamado teu filho!»

– A festa do regresso. Deus prepara uma festa:

pela alegria que nos dá;

pelo banquete que nos oferece.

Fonte: presbiteros.com.br
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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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