Roteiro Homilético 14º Domingo do Tempo Comum Ano “A” Mateus

Introdução ao espírito da Celebração

Deus, Pai amorosíssimo, quer ver todos os Seus filhos contentes, felizes. Esse desejo é também o mais comum a todos nós. Como pois explicar que haja quem nem sempre experimente essa tão desejada maneira de viver? O Senhor, através da Sua Palavra, vai indicar-nos os caminhos pelos quais devemos livremente optar, para que, tal desejo, em todos nós, se possa concretizar.

Oração coleta: Deus de bondade infinita, que, pela humilhação do vosso Filho, levantastes o mundo decaído, dai aos vossos fiéis uma santa alegria, para que, livres da escravidão do pecado, possam chegar à felicidade eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. 

Primeira Leitura

Profecia de Zacarias 9,9-10

Zacarias, convida o Povo de Israel a alegrar-se, apesar da triste situação em que se encontra. Ele já vê chegar o seu libertador. Contra o pensar geral, é Alguém que vem desprovido de poder «humildemente montado num jumentinho».

A leitura é tirada da 2.ª parte do livro de Zacarias, onde se fala do triunfo definitivo de Deus e do seu reino universal. Este texto foi escolhido para hoje em função do Evangelho, em que Jesus se apresenta como «manso e humilde de coração». É um texto messiânico, que Mateus apresenta como cumprido em Jesus (cf. Mt 21,4-5).

9 «Filha de Sião, ou filha de Jerusalém» são hebraísmos para designar os habitantes de Jerusalém. O Messias será um «rei justo e triunfante», mas «humilde» e pacífico rei universal (v. 10): não aparecerá montado num veloz corcel de guerra, mas num manso «jumento».

Segunda Leitura

Carta de São Paulo aos Romanos 8,9.11-13

Jesus morreu, mas ressuscitou. Ele tinha em Si o Espírito de Deus, que é a vida em plenitude. Dessa vida também participamos pelo baptismo, com o qual morremos para as obras da carne. A vida divina em nós levar-nos-á a também viver eternamente.

Este pequenino trecho é tirado de Rom 8, que constitui o ponto culminante da carta e a sua mais bela profunda síntese. No centro deste genial capítulo está a presença e a ação do Espírito Santo, a quem se atribui a vida nova em Cristo. Esta é uma «vida sob o domínio do Espírito», a antítese perfeita da «vida sob o domínio da carne» (v. 9). Aqui a carne não é uma categoria platónica para designar a parte material do ser humano, nem é a «simples natureza» humana com a conotação de fraqueza e precariedade (sentido frequente no AT e noutros textos paulinos, por ex., em Rom 3,20; 1 Cor 1,29; Gal 3,16); trata-se antes da natureza humana ferida pelo pecado e infectada pela concupiscência, o homem enquanto dominado pelos apetites e paixões desordenadas.

11-13 A vida nova «por meio do Espírito» de Cristo é radicalmente inconciliável com a vida segundo a carne, pois o Apóstolo adverte: «se viverdes de acordo com a carne, haveis de morrer» (v. 13). As obras da carne são as obras pecaminosas, ditadas pelos apetites desordenados em geral, não apenas pelo apetite sexual, como na nossa linguagem atual. O sentido positivo da mortificação cristã está aqui bem explícito: «haveis de viver».

Evangelho

Segundo Mateus 11,25-30
A passagem evangélica, por sua vez, nos traz um convite consolador de Jesus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (v. 28).  É também um convite a ir ao encontro de Jesus e a aceitar os seus ensinamentos. Jesus promete dar a todos o descanso, mas sob uma condição: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vós encontrareis descanso” (v. 29).

Entre os fariseus do tempo de Jesus, a imagem do “jugo” era aplicada à Lei de Deus, a suprema norma de vida (cf. Eclo 6,24-30).  Entende-se como jugo, uma estrutura ou barra de madeira que é colocada sobre um ou dois animais que estejam puxando uma carga pesada. O jugo equilibra a carga, tornando-a mais fácil de ser levada. Além de seu significado literal, o conceito de jugo também aparece em muitas escrituras como metáfora de escravidão ou servidão (cf. Jr 28,2).

Para os fariseus, por exemplo, a Lei não era um “jugo” pesado, mas um “jugo” glorioso, que devia ser carregado com alegria.  Na realidade, tratava-se de um “jugo” pesadíssimo. A impossibilidade de cumprir, no dia a dia, os 613 mandamentos da Lei escrita e oral, criava consciências pesadas e atormentadas. Os crentes, incapazes de estar em regra com a Lei, sentiam-se condenados e malditos, afastados de Deus e indignos da salvação. A Lei aprisionava em lugar de libertar e afastava os homens de Deus ao invés de os conduzir para a comunhão com Ele.

Os “sábios e inteligentes” estavam convencidos de que o conhecimento da Lei lhes dava o conhecimento de Deus. A Lei era o canal de união com Deus; por isso, apresentavam-se como detentores da verdade, representantes legítimos de Deus, capazes de interpretar a vontade e os planos divinos.

Mas o “jugo” de Cristo é a lei do amor, é o seu mandamento, deixado por ele aos seus discípulos (cf. Jo 13,34; 15,12). O verdadeiro remédio para as feridas da humanidade, quer materiais, como a fome e as injustiças, quer psicológicas e morais, causadas por um falso bem-estar, é uma regra de vida baseada no amor fraterno, que tem a sua fonte no amor de Deus.

No evangelho deste domingo Jesus faz um convite aos humildes para que aceitem o seu “jugo”, que é o descanso e a tranquilidade.  Como de fato, mansidão e humildade são duas virtudes postas em prática por Jesus, ao longo de seu ministério.  Jesus também quis nos ensinar este caminho.  Ele se fez manso e humilde para poder dizer-nos: Aprendei de mim (v. 29).

Por isto, só quem se entrega a Deus, pelo ato de total abandono que é o amor, pode ser assumido pela graça que nos dá a real participação no reino de Deus, que sempre se inicia e se planifica no amor.  Por isso também, seu jugo é leve, porque nos liberta do farto da morte e nos faz participantes da vida de Deus.  Só o divino amor, que opera em nós a fé, pode nos fazer andar até ele: “Vinde a mim, todos vós” (v. 28).

Um dos mais belos frutos da humildade é esse que está no evangelho deste domingo: o ter os olhos abertos para entender as verdades de Deus, enquanto que os soberbos e os arrogantes e aqueles que presumem ser sábios, ficam alheios diante destes ensinamentos: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultastes estas coisas aos sábios e aos doutores e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25).

Jesus repete também a tantos inteligentes e sábios honestos que existem no mundo de hoje seu convite: “Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso” (v. 28).  E que este convite possa chegar também a cada um de nós.

Peçamos ao Senhor que ele nos conceda também um coração puro e simples, desprendido e disponível para o outro.  Um coração capaz de olhar com amor misericordioso para todos, sem julgar ninguém. Um coração puro e simples, capaz de compreender que tudo é dom gratuito de Deus e tudo deve dar gratuitamente.  Um coração aberto ao perdão, que não seja invejoso e não guarde rancor e tudo desculpa (cf. 1Cor 13,4-7).

Que a Virgem Mãe nos ajude a ter um coração puro e simples e nos faça aprender de Jesus a verdadeira humildade, a carregar com decisão o seu jugo leve, para experimentar a paz interior e tornarmos capazes de confortar aqueles que percorrem com provações o caminho da vida.  Assim seja.

D. Anselmo Chagas de Paiva, OSB

Sugestão para reflexão

Jesus, Mestre divino, ensina-nos, com o seu exemplo, os caminhos da felicidade.

Não foi por acaso – para Deus não há acasos – que Jesus nasceu numa pobre manjedoura, pertenceu a uma família humilde, quis passar por ser «o filho do carpinteiro», viveu em Nazaré – cidade por todos desprezada – , não tinha onde reclinar a cabeça, entrou em Jerusalém montado num pobre jumentinho, (1ª Leitura da Missa de hoje), lava os pés aos Apóstolos, é cuspido, esbofeteado, flagelado, coroado de espinhos e ridicularizado pelas ruas de Jerusalém, é pregado na cruz e morre no meio de dois ladrões. Não podia ter feito mais para nos revelar quanto nos ama, como é monstruoso o pecado e ensinar a virtude fundamental da humildade. Com a vivência tão profunda desta virtude, o Senhor provou também quão errado foi o caminho seguido pelos nossos primeiros pais e que hoje continua a iludir tantos homens – o orgulho. A cegueira estonteante que este vício provoca é de tal forma dramática, que é causa de todas as tragédias humanas, arrastando homens pelos caminhos errados da vida, provocadores de tantas lágrimas, sofrimento e atraso social.

Como só com a virtude da humildade existe capacidade para captar as verdades eternas e as grandes lições que Jesus nos dá, Ele proclamou esta linda oração que o Evangelho da Missa de hoje nos transmite: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondestes estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos».

Fonte: presbiteros.com.br

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