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Liturgia Diária Comentada 09/04/2014 Domingo

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
Semana Santa - 2ª Semana do Saltério
Prefácio Próprio - Ofício dominical próprio
Cor: Vermelha - Ano “A” - São Mateus

Antífona: Seis dias antes da solene Páscoa, quando o Senhor veio a Jerusalém, correram até os pequeninos. Trazendo em suas mãos ramos e palmas, em alta voz cantavam em sua honra: Bendito és tu que vens com tanto amor! Hosana nas alturas!

Oração do Dia: Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

Benção dos Ramos: Mateus 21,1-11

Naquele tempo, Jesus e seus discípulos aproximaram-se de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: "Ide até o povoado que está ali na frente, e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim! Se alguém vos disser alguma coisa, direis: 'O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá"'. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: "Dizei à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta". Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia mandado. Trouxeram a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e Jesus montou. A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. As multidões que iam na frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: "Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!" Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade inteira se agitou, e diziam: "Quem é este homem?" E as multidões respondiam: "Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia". - Palavra da Salvação! 

Primeira Leitura: Livro do Profeta Isaías 50,4-7

O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cus­paradas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. - Palavra do Senhor.

Comentário: A missão do servo é, aqui, apresentada como encorajamento aos fracos e abatidos. Para isso, não resiste ao que Deus lhe pede e não recua diante das dificuldades e ataques adversários. Quem o acusará se o seu advogado é o próprio Deus? Os adversários serão apanhados na mesma armadilha que lhe tinham preparado. Tal foi a atitude de Jesus, e é a característica fundamental de seus seguidores. O Servo de Deus não é um portador de sabedoria humana, nem confia nos recursos da dialética. Assemelha-se aos pobres analfabetos, que não sabem usar a arma da palavra. Sua língua é a de discípulo (versículo 4): narra só as coisas que Deus lhe confiou. Sua força está toda aqui, daqui lhe vem a capacidade de suportar as bofetadas com um rosto de pedra. Que o servo Jesus fosse, não apenas um portador da palavra, mas em verdade a Palavra de Deus, não muda os termos da profecia, antes a leva ao extremo. Sua paixão foi a consequência de sua fidelidade à missão de profeta: falou, por isso foi crucificado. Não pode ser outra a missão da Igreja. Deve ela falar a palavra de salvação, que é palavra recebida do alto. Como para São Paulo, seu falar não se exprime "em discurso de humana sabedoria, mas em demonstração de espírito e virtude" (1 Cor 2,4). Por isto, permanece sempre "em religiosa escuta da palavra de Deus", para ser sua fiel dispensadora.

Salmo: 21(22),8-9.17-18a. 19-20.23-24 (R.2a)
Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?

Riem de mim todos aqueles que me veem, torcem os lábios e sacodem a cabeça: 'Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!'

Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés e eu posso contar todos os meus ossos. Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam!

Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!

Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembleia hei de louvar-vos! Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o toda a raça de Israel!

Segunda Leitura: Carta de São Paulo aos Filipenses 2,6-11

Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai. - Palavra do Senhor.

Comentário: Citando um hino conhecido, Paulo mostra qual é o Evangelho da cruz, o Evangelho autêntico, e apresenta em Cristo o modelo da humildade. Embora tivesse a mesma condição de Deus, Jesus apresentou entre os homens como simples homem. E mais: abriu mão de qualquer privilégio, tornando-se apenas um homem que obedece a Deus e serve aos homens. Não bastasse isso, Jesus serviu até o fim, perdendo a honra ao morrer na cruz, como se fosse criminoso. Por isso, Deus o ressuscitou e o colocou no posto mais elevado que possa existir, como Senhor do universo e da história. Os cristãos são convidados a fazer o mesmo: abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para pôr-se a serviço dos outros, até o fim.

Evangelho segundo Mateus 26,14-27,66

Naquele tempo, um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então, trinta moedas de prata. E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.

Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?

No primeiro dia da festa dos ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" Jesus respondeu: "Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos"'. Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa.

Um de vós vai me trair.

Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse: "Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: "Senhor, será que sou eu?" Jesus respondeu: "Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!" Então Judas, o traidor, perguntou: "Mestre, serei eu?" Jesus lhe respondeu: "Tu o dizes".

Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue.

Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o, distribuiu-o aos discípulos, e disse: "Tomai e comei, isto é o meu corpo". Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lhes, dizendo: "Bebei dele todos. Pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. Eu vos digo: de hoje em diante não beberei deste fruto da videira, até o dia em que, convosco, beberei o vinho novo no Reino do meu Pai". Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras.

Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão.

Então Jesus disse aos discípulos: "Esta noite, vós ficareis decepcionados por minha causa. Pois assim diz a Escritura: 'Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão'. Mas, depois de ressuscitar, eu irei à vossa frente para a Galiléia". Disse Pedro a Jesus: "Ainda que todos fiquem decepcionados por tua causa, eu jamais ficarei". Jesus lhe declarou: "Em verdade eu te digo, que, esta noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes". Pedro respondeu: "Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo assim não te negarei". E todos os discípulos disseram a mesma coisa.

Começou a ficar triste e angustiado.

Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: "Sentai-vos aqui, enquanto eu vou até ali para rezar!" Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado. Então Jesus lhes disse: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo!" Jesus foi um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto por terra e rezou: "Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres". Voltando para junto dos discípulos, Jesus encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: "Vós não fostes capazes de fazer uma hora de vigília comigo? Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca". Jesus se afastou pela segunda vez e rezou: "Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!" Ele voltou de novo e encontrou os discípulos dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono. Deixando-os, Jesus afastou-se e rezou pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. Então voltou para junto dos discípulos e disse: "Agora podeis dormir e descansar. Eis que chegou a hora e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos! Vamos! Aquele que me vai trair, já está chegando".

Lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam.

Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus. Vinham a mandado dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: "Jesus é aquele que eu beijar; prendei-o!" Judas, logo se aproximou de Jesus, dizendo: "Salve, Mestre!" E beijou-o. Jesus lhe disse: "Amigo, a que vieste?" Então os outros avançaram, lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. Nesse momento, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada, e feriu o servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus, porém, lhe disse: "Guarda a espada na bainha! pois todos os que usam a espada pela espada morrerão. Ou pensas que eu não poderia recorrer ao meu Pai e ele me mandaria logo mais de doze legiões de anjos? Então, como se cumpririam as Escrituras, que dizem que isso deve acontecer?" E, naquela hora, Jesus disse à multidão: "Vós viestes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante. Todos os dias, no Templo, eu me sentava para ensinar, e vós não me prendestes". Porém, tudo isto aconteceu para se cumprir o que os profetas escreveram. Então todos os discípulos, abandonando Jesus, fugiram.

Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso.

Aqueles que prenderam Jesus levaram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os mestres da Lei e os anciãos. Pedro seguiu Jesus de longe até o pátio interno da casa do Sumo Sacerdote. Entrou e sentou-se com os guardas para ver como terminaria tudo aquilo. Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte. E nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, vieram duas testemunhas, que afirmaram: "Este homem declarou: 'posso destruir o Templo de Deus e construí-lo de novo em três dias" Então o Sumo Sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: "Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?" Jesus, porém, continuava calado. E o Sumo Sacerdote lhe disse: "Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Messias, o Filho de Deus". Jesus respondeu: "Tu o dizes. Além disso, eu vos digo que de agora em diante vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu". Então o Sumo Sacerdote rasgou suas vestes e disse: "Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora mesmo vós ouvistes a blasfêmia. Que vos parece?" Responderam: "E réu de morte!" Então cuspiram no rosto de Jesus e o esbofetearam. Outros lhe deram bordoadas, dizendo: "Faze-nos uma profecia, Cristo, quem foi que te bateu?"

Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes.

Pedro estava sentado fora, no pátio. Uma criada chegou perto dele e disse: "Tu também estavas com Jesus, o Galileu!" Mas ele negou diante de todos: "Não sei o que tu estás dizendo". E saiu para a entrada do pátio. Então uma outra criada viu Pedro e disse aos que estavam ali: "Este também estava com Jesus, o Nazareno". Pedro negou outra vez, jurando: "Nem conheço esse homem!" Pouco depois, os que estavam ali aproximaram-se de Pedro e disseram: "É claro que tu também és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia". Pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo que não conhecia esse homem! E nesse instante o galo cantou. Pedro se lembrou do que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes". E saindo dali, chorou amargamente.

Entregaram Jesus a Pilatos, o governador.

De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para condená-lo à morte. Eles o amarraram, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.

Não é lícito colocá-las no tesouro porque é preço de sangue.

Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido e foi devolver as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: "Pequei, entregando à morte um homem inocente". Eles responderam: "O que temos nós com isso? O problema é teu". Judas jogou as moedas no santuário, saiu e foi se enforcar. Recolhendo as moedas, os sumos sacerdotes disseram: "E contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue". Então discutiram em conselho e compraram com elas o Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. É por isso que aquele campo até hoje é chamado de "Campo de Sangue". Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço do Precioso, preço com que os filhos de Israel o avaliaram - e as deram em troca do Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou!"

Tu és o rei dos judeus?

Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus declarou: "É como dizes", e nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos. Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?" Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse. Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. Então Pilatos perguntou à multidão reunida: "Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus; a quem chamam de Cristo?" Pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: "Não te envolvas com esse justo! porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele". Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. O governador tornou a perguntar: "Qual dos dois quereis que eu solte?" Eles gritaram: "Barrabás". Pilatos perguntou: "Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?" Todos gritaram: "Seja crucificado!" Pilatos falou: "Mas, que mal ele fez?" Eles, porém, gritaram com mais força: "Seja crucificado!" Pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: "Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!" O povo todo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos". Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.

Salve, rei dos judeus!

Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: "Salve, rei dos judeus!" Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar.

Com ele também crucificaram dois ladrões.

Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer "lugar da caveira. Mi deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. E ficaram ali sentados, montando guarda. Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus". Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus.

Se és o Filho de Deus, desce da cruz!

As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: "Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!" Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: "A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus". Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam.

Eli, Eli, lamá sabactâni?

Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito: "Eli, Eli, lamá sabactâni?", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: "Ele está chamando Elias!" E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. Outros, porém, disseram: "Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!" Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.

Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa.

E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: "Ele era mesmo Filho de Deus!" Grande número de mulheres estava ali, olhando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços. Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.

José colocou o corpo de Jesus em um túmulo novo.

Ao entardecer, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe entregassem o corpo. José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo, e o colocou em um túmulo novo, que havia mandado escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo, e retirou-se. Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, diante do sepulcro.

Tendes uma guarda. Ide, guardai o sepulcro como melhor vos parecer.

No dia seguinte, como era o dia depois da preparação para o sábado, os sumos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos, e disseram: "Senhor, nós nos lembramos de que quando este impostor ainda estava vivo, disse: 'Depois de três dias eu ressuscitarei!' Portanto, manda guardar o sepulcro até ao terceiro dia, para não acontecer que os discípulos venham roubar o corpo e digam ao povo: 'Ele ressuscitou dos mortos!' pois essa última impostura seria pior do que a primeira". Pilatos respondeu: "Tendes uma guarda. Ide e guardai o sepulcro como melhor vos parecer". Então eles foram reforçar a segurança do sepulcro: lacraram a pedra e montaram guarda. - Palavra da Salvação.

Comentário: Esse longo texto nos introduz no clima espiritual da Semana Santa, quando acompanhamos o processo de condenação e morte de Jesus. Ele é o Servo sofredor por excelência, que, mesmo abandonado pelo seu grupo íntimo, incompreendido e ultrajado, permanece fiel à sua missão. O processo envolve a traição de Judas, um dos doze. Ele negocia a entrega de Jesus por 30 moedas, o valor de um escravo naquela época. Apesar de Jesus conhecer a decisão que Judas tomou, e sabendo também da tríplice negação de Pedro, não os exclui da ceia em que institui a eucaristia, sinal de sua presença viva nas comunidades e de sua plena doação pela vida do mundo. Judas vai arrepender-se de seu ato, mas não consegue superar o remorso. Prefere dar fim à vida. Diferente vai ser a atitude de Pedro, que, reconhecendo sua covardia, se arrepende e “chora amargamente”. O relato ressalta a humanidade de Jesus em profundo sofrimento, no lugar do Getsêmani. Na sua total solidão, derrama sua alma diante do Pai, em quem pode confiar plenamente. Manifesta-lhe toda sua fraqueza, pede-lhe socorro e dobra-se à vontade divina, mantendo-se firme na decisão de concluir sua tarefa com todas as consequências. Os discípulos, que deveriam vigiar com Jesus e apoiá-lo nessa hora de extrema dor, preferem abandonar-se ao sono. Jesus passou a vida fazendo o bem, fiel à missão que recebera do Pai. Sua fidelidade confronta-se com os grupos de poder, concentrados na capital, Jerusalém. O grupo da elite religiosa pertencente ao Sinédrio mantinha seu poder à custa da exploração do povo empobrecido, legitimando suas posturas com interpretações interesseiras da Sagrada Escritura. Apesar de anunciarem a vinda do Messias, conforme as Escrituras, não podiam conceber que essa promessa se cumpriria na figura de alguém despojado de poder e solidário com os fracos e pequeninos. Não só isso: Jesus não adotou a mesma maneira dos rabinos de interpretar a palavra de Deus e toda a tradição de Israel. Seu lugar social era outro. E, por isso, era outro o modo de conceber as coisas. Enquanto a teologia oficial, com base no sistema de pureza, excluía da salvação as pessoas “impuras”, Jesus revela aos “impuros” o seu amor prioritário e oferece-lhes a salvação divina. O Sinédrio, a instância religiosa judaica central para julgamento das pessoas suspeitas de crimes e de violações da Lei, procura achar um motivo convincente para condenar Jesus. Após muitos falsos depoimentos, apresentaram-se duas testemunhas (número mínimo necessário para a condenação de uma pessoa suspeita) que, também falsamente, depõem contra Jesus, dizendo que ele pregava a destruição do Templo. Foi motivo suficiente: Jesus mexera com o que havia de mais sagrado. Era por meio do Templo que o Sinédrio alimentava o seu poder. As autoridades judaicas, porém, não tinham o poder de condenar uma pessoa à morte. Por isso, Jesus é levado à instância política ligada ao império romano. Pilatos é o seu representante. Nada percebe em Jesus que possa condená-lo. Até sua mulher lhe manda dizer que, em sonho (considerado o meio pelo qual Deus se manifesta), lhe fora revelado que Jesus era uma pessoa justa. Enfim, o inocente Jesus, por pressão da elite judaica, vai ser condenado. Pilatos lava as mãos e, no lugar de Jesus, solta Barrabás, acusado de assassinato. A partir daí, Jesus vai sofrer toda espécie de humilhação. É a figura de um escravo sem defesa, entregue às mãos dos zombadores. É desnudado, vestido com um manto vermelho, coroado de espinhos, com um caniço em sua mão direita, e cuspido no rosto; enquanto lhe batem na cabeça, é saudado como “rei dos judeus”, uma das acusações que o levarão à condenação. Simão Cireneu é requisitado para ajudar Jesus a carregar a cruz, pois ele se encontra muito enfraquecido. Quando crucificado, lançam-lhe injúrias, pedindo-lhe que salve a si próprio, já que anunciou a destruição do Templo, outra acusação no seu julgamento. Eis o Servo na cruz, considerado “maldito de Deus”, conforme declara o texto do Deuteronômio (21,23). Porém, em seu sofrimento e em sua morte, paradoxalmente, manifesta-se a total solidariedade com os sofredores e realiza-se a redenção da humanidade. O véu do Templo se rasga de cima a baixo: o Santo dos Santos fica exposto. A morte de Jesus “liberta” a Deus, aprisionado pelo sistema religioso excludente. A morte de Jesus ressuscita os mortos. Sua morte resgata a vida de todos. Nessa mesma hora, é reconhecido pelo centurião e pelos guardas como “Filho de Deus”. (Celso Loraschi, Vida Pastoral nº 277, Paulus)

Fonte: CNBB - Missal Cotidiano (Paulus) - Deus Único
Foto retirada da internet caso seja o autor, por favor, entre em contato para citarmos o credito.

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