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Roteiro Homilético 7º Domingo do Tempo Comum - Ano “A” Mateus

Introdução ao espírito da Celebração

A fé cristã assenta na sabedoria que vem de Deus e não do mundo. Somos convidados a olhar para os homens nossos irmãos, amando-os como Deus os ama. A santidade a que somos chamados consiste em fazer a vontade de Deus nosso Pai, que ama a todos, sem distinção. Amando os que nos perseguem e orando pelos nossos inimigos, sabemos que somos filhos de Deus. Quanta exigência e quanta motivação contida nesta frase imperativa do Divino Mestre: Sede perfeitos como é perfeito o vosso pai celeste!

Primeira Leitura

Livro do Levítico 19,1-2.17-18

Amarás o teu próximo como a ti mesmo! Sede santos! Deus propõe-nos o mandamento do amor como caminho de santidade, porque o amor entre os homens é o sinal do amor divino. 

O texto da leitura de hoje, tirado da quarta e última parte do Levítico, o chamado Código de Santidade (Lv 17-26), foi escolhido em função do Evangelho que apela à santidade de vida.

2 «Sede santos, porque Eu sou Santo». É uma ideia mestra do Levítico. Deus é a infinita grandeza e majestade, transcendente e inacessível a todos os restantes seres, criaturas suas. Ele é esse misterium fascínams et tremendum, cuja presença infunde respeito e temor (cf. Ex 33,18-23); e isto a tal ponto, que o homem sente perante Ele o abismo do seu nada e da sua indignidade, por isso crê não ser possível ver a Deus e continuar a viver. Só Deus é santo, transcendente, mas todos os seres que estão em contato com Ele e Lhe são consagrados participam da santidade de Deus, tornam-se santos, separados do profano, consagrados ao seu serviço e ao seu culto, e não apenas os lugares, tempos, objetos e pessoas, especialmente os sacerdotes, mas também todo o povo de Israel, porque foi escolhido entre os povos, para ser o povo de Deus: «vós sereis para mim um reino de sacerdotes e um povo santo» (Êx 19,6); «sede, portanto, santos para Mim, porque Eu, Yahwéh, sou Santo e separei-vos de entre os povos, a fim de serdes meus» (Lv 20,26). Porque o Povo era propriedade divina e estava todo ele dedicado ao culto, tinha de observar umas tantas normas de pureza ritual que lhe fizessem tomar consciência desta condição de pertença divina e dedicação ao culto. Esta santidade cultual e pureza legal não terminava no puramente legal, ritual e externo, pois ela simbolizava, protegia e fomentava a santidade interior, a perfeição moral: a separação do profano conduz à fuga do pecado, a pureza ritual postula a pureza de consciência (cf. Is 6,3-7). Todo o complicado sistema religioso do Levítico destinava-se a preparar as pessoas para Cristo que nos diz: sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5,48), como se lê no Evangelho deste Domingo.

Segunda Leitura

Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 3,16-23

S. Paulo ensina-nos: «Tudo é vosso; vós sois de Cristo e Cristo é de Deus.» Por Jesus Cristo todos somos chamados à unidade. Há um só Corpo, um só Espírito, um só Senhor, uma só fé e um só Baptismo. A unidade da Igreja é fruto do Espírito Santo que habita em nós e realiza a maravilhosa comunhão dos fiéis!

Continuamos neste Domingo com a leitura da 1ª parte da Carta aos Coríntios, em que S. Paulo pretende pôr cobro às divisões em grupinhos rivais: os coríntios iam atrás de sabedoria humana e não divina, ao gloriarem-se em pregadores preferidos. No seu apelo à unidade, Paulo apresenta a Igreja como um edifício sólido, em que todos têm de estar unidos, para se manter firme.

16-17 «Templo de Deus». A comunidade cristã de Corinto (e a Igreja universal) é designada desta forma, pois nela habita o Espírito Santo e nela exerce a sua ação santificadora. Em 1 Cor 6,19 cada fiel em particular é também chamado templo de Deus. «Destruir o templo de Deus», a Igreja, é espalhar a má doutrina, os maus exemplos (daqui provém a expressão, conduta desedificante), mas também o atentar contra a unidade da Igreja, nem que seja só por promover capelinhas.

21-22 «Tudo é vosso». S. Paulo quer rebater aqueles cristãos com menos formação que se queriam prender demasiado ao prestígio da pessoa dos pregadores do Evangelho – eu sou de Apolo», eu sou de Paulo, eu sou de Pedro (v. 4) – e que, com demasiada visão humana, se gloriavam dos homens e dos seus dotes de eloquência, mostrando assim estarem imbuídos duma sabedoria deste mundo (v. 19). Por isso exclama: tudo é vosso, incluindo os pregadores e chefes da Igreja (Apolo, Paulo, Pedro); estes não são os proprietários dos fiéis, mas eles pertencem à comunidade dos fiéis, como seus servos (cf. 2 Cor 4,5), por isso não tem sentido andarem a dizer: sou de Paulo, sou de Apolo… (v. 4). «Vós sois de Cristo!» e «Cristo é de Deus», enquanto homem; considerado como pessoa, Ele mesmo é Deus (cf. Filp 2,6-11).

Evangelho

Segundo Mateus 5,38-48

«Quem observa a palavra de Jesus Cristo, nesse o Amor de Deus é perfeito!.» Estas palavras de aclamação ao Evangelho são tiradas da primeira carta de S. João (1Jo 2,5). Aclamemos Jesus Cristo, que nos convida a sermos perfeitos como é perfeito o pai celeste!

Continuamos neste Domingo com o Sermão da Montanha, na primeira parte, em que se agora é abordado o tema central da Boa Nova, a caridade para com todos.

39-40 «Não resistais ao homem mau». Jesus, com a lei do amor – o mandamento novo (Jo 13,34) –, revoga para sempre a lei da vingança, que, embora moderada pela lei do talião (Ex 21,23; Lev 24,19-20; Dt 19,18-21), era uma lei de desforra ditada não pelo amor, mas pelo zelo da própria honra ou da honra da família ou do clã. A lei do talião correspondia a um grande avanço moral e social para os tempos do Antigo Testamento, pois evitava uma vingança exagerada, que só provocaria novas vinganças sem fim; esta lei estabelecia o critério de que o castigo devia ser tal qual o delito, não podendo ser maior, daí o seu nome: talião. Jesus Cristo estabelece novas bases – o amor, o perdão das ofensas, a superação do orgulho – sobre as quais os homens hão de atender a uma defesa razoável dos seus direitos. Os exemplos que Jesus dá, tão incisivos – oferecer a outra face, deixar a capa –, apontam para um novo espírito, com que têm de ser solucionados os conflitos, não são exemplos a indicar a letra da lei!

43 «Amarás o teu próximo, odiarás o teu inimigo». Só a 1ª parte estava expressa na Sagrada Escritura (cf. Lev 19,18 – 1a leitura). Os judeus consideravam próximo apenas os parentes, amigos e correligionários, ideia que Jesus corrigiu (cf. Lc 10,25-37). A lei do ódio ao inimigo era deduzida das prescrições relativas aos gentios, para se evitar o contágio da idolatria (cf. Dt 20,13-17; 23,4-7; 25,17-19).

48 «Sede perfeitos, como o vosso Pai Celeste é perfeito». A expressão não é um paradoxo, pois rigorosamente falando, é impossível que a criatura alcance a perfeição de Deus. Mas esta é a meta para que deve tender todo o discípulo de Cristo. A santidade é a vocação de todo o batizado. João Paulo II propôs como objetivo para o caminho da Igreja no 3º milénio a santidade de vida para todos: «Como explicou o Concílio, este ideal de perfeição não deve ser objeto de equívoco, vendo nele um caminho extraordinário, capaz de ser percorrido apenas por algum génio da santidade. Os caminhos da santidade são variados e apropriados à vocação de cada um. Agradeço ao Senhor por me ter concedido, nestes anos, beatificar e canonizar muitos cristãos, entre os quais numerosos leigos que se santificaram nas condições ordinárias da vida. É hora de propor de novo a todos, com convicção, esta medida alta da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direção. Mas é claro também que os percursos da santidade são pessoais e exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja».

Sugestões para reflexão

«Amarás o teu próximo como a ti mesmo!»

No Domingo passado, ouvimos Jesus dizer que não veio revogar, mas dar pleno cumprimento à lei e às profecias. Hoje, continuamos a ler este discurso, tirado do capítulo quinto de S. Mateus, conhecido como o Sermão da montanha. Jesus explica a novidade da Nova Aliança, do Novo Testamento, cuja base assenta na caridade para com todos os homens! O preceito «de amar o próximo» é antigo! «Amarás o teu próximo como a ti mesmo!» (Lev19,17-18) Na prática, este mandamento, limitava-se aos membros do povo bíblico. Jesus alarga o horizonte e pede-nos para amarmos todos os homens, nossos irmãos. Este amor universal torna-se sinal credível daquele Amor eterno e compassivo de Deus para com toa a humanidade. Por isso, Jesus convida-nos: «Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste!» Apontando para o exemplo do Pai celeste, que faz brilhar o sol para bons e maus e que manda chover para justos e pecadores, Jesus pede-nos para dar a outra face e amar os inimigos. Jesus aponta-nos uma meta muito alta para não nos contentarmos com a mediocridade. O horizonte do Reino de Deus não fica limitado pelas dificuldades da terra, mas alarga-se até ao Céu! Deus é Pai de todos. Não podemos classificar os nossos irmãos como bons e maus, com base em critérios ideológicos, religiosos, étnicos ou morais: «Deus não faz acepção de pessoas!» (Rom 2, 11) Só Deus é termo de comparação para todos, porque Ele é «Clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade». E se alguém é mau para conosco não é negando-lhes a chuva e o sol da nossa bondade que se tornará melhor. Além disso, recordemos que «Jesus morreu por nós quando éramos pecadores!» (Rom 5, 8) Deus ama gratuitamente! Deus é justo e Santo! Aceitemos o seu convite que nos dirigiu no livro do Levítico: «Sede Santos porque Eu sou Santo!» A nossa bondade para com todos á aquela luz que há de brilhar no mundo para que os homens vejam as nossas boas obras e nos possam reconhecer como discípulos de Jesus e glorifiquem O Pai que está nos Céus! Além disso, o nosso amor fraterno é sinal da nossa filiação divina! Guardemos no nosso coração a Palavra que Jesus nos dirige e ponhamo-la em prática com diligência para alcançarmos a perfeição, a santidade: «Amai os vossos inimigos! Orai pelos que vos perseguem para serdes filhos do vosso Pai celeste!»

Fonte: presbiteros.com.br
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