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Liturgia Diária Comentada 08/01/2017 Domingo Epifania do Senhor

Solenidade da Epifania do Senhor
Prefácio da Epifania - 3ª Semana do Saltério
Ofício solene próprio - Glória e Creio
Cor: Branco - Ano Litúrgico “A” - São Mateus

Antífona: Ml 3,1; 1Cr 19,12 - Eis que veio o Senhor dos senhores; em suas mãos, o poder e a realeza.

Oração do Dia: Ó Deus, que hoje revelastes o vosso filho às nações, guiando-as pela estrela, concedei aos vossos servos e servas, que já vos conhecem pela fé, contemplar-vos um dia face a face no céu. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!


Primeira Leitura: Livro do Profeta Isaías 60, 1-6
                                          
Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão às riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor. - Palavra do Senhor.

Comentário: O texto se refere à cidade de Jerusalém, embora seu nome não seja mencionado. A situação da cidade é desanimadora. Estamos no período do pós-exílio, onde tudo está para ser feito. Se o exílio era amargo, a saída dele e a reconstrução do país foram marcadas por grandes dificuldades. Jerusalém está prostrada por causa de sua população diminuta, pela falta de recursos e pela dominação estrangeira (império persa) que não permite a organização política dos que retornaram, além de impor pesado tributo. Teria Javé abandonado seu povo e a cidade santa? O papel do profeta (chamado de Terceiro Isaías) aqui é suscitar ânimo e esperança. Javé continua sendo o esposo da cidade (e, por extensão, de todo o povo). Por causa do amor fiel que tem para com Jerusalém, esta será transformada em ponto de convergência da caminhada das nações. Javé está nela como esposo que a orna de esplendor, tornando-a fecunda em filhos e rica em presentes. É um marido apaixonado que deseja todo o bem à sua amada, ele é luz e permite à cidade participar dessa luz.

O anúncio do profeta convida a cidade a levantar-se de sua prostração e resplandecer (v. 1). Os vv. 1-3 repetem os termos luz, raiar, esplendor. A ideia é muito clara: enquanto no mundo inteiro só há trevas, Jerusalém é só luz e esplendor. O sol, portanto, não nasce mais no oriente, mas em Jerusalém, porque Javé, com sua presença, é o próprio esplendor da cidade da paz (cf. Ap 22,5). A presença de Javé na cidade põe em movimento todas as nações, que começam a peregrinação para a cidade-luz. Tudo isso porque Javé se levanta sobre a cidade, manifestando aí sua glória (cf. o desejo expresso em Zc 8,23).

No v. 4 o profeta convida novamente a cidade-esposa a se levantar e contemplar a romaria que a ela se dirige. Nessa procissão está a resposta de Javé: ele dá a Jerusalém filhos e filhas, que vêm a ela carregados ao colo pelas nações. As nações tratam com carinho os frutos do amor de Deus para com seu povo. A cidade-esposa tornou-se mãe, cujos filhos são reconhecidos entre todos os povos. Os vv. 5-6 mostram os demais presentes que o esposo dá à esposa, presentes que a comovem: são as riquezas do mar, que vêm do oeste, da Fenícia e da Grécia; são as riquezas do oriente, que vêm através das caravanas de camelos e dromedários (Madiã, Efa, Sabá). A procissão dos que trazem presentes vem proclamando os louvores de Javé. E os dons – incenso e ouro – têm uma finalidade específica: servem para o culto no Templo reconstruído. É Javé quebrando o jugo dos tributos e devolvendo ao povo os bens que sustentam a vida.

O texto oferece algumas orientações pastorais. A comunidade que, com esforço, luta para reconstruir o projeto de Deus, precisa se levantar porque o próprio Deus é quem sustenta a caminhada, tornando-a a esposa amada e fecunda, luz para as demais comunidades que necessitam ver para discernir seu futuro. O próprio Deus a torna fecunda em filhos e recursos para que seja comunidade justa e fraterna, a ponto de atrair todos a si. Atraindo todos à paz e à justiça, faz com que possam se encontrar definitivamente com o Deus que nela habita. A comunidade é sacramento do encontro com Deus.

Sabemos que esse ideal não se concretizou em Jerusalém (cf. evangelho), pois ela recusou o Salvador. De fato, o texto não cita Jerusalém, a cidade-comunidade. A perspectiva, portanto, permanece aberta. E cada qual pode se perguntar: qual é essa comunidade-esposa? Não será, por acaso, a cidade-comunidade à qual pertencemos? Além disso, a Judéia continuou por séculos dependente dos impérios estrangeiros, sustentando com suor e sangue o luxo e os caprichos dos poderosos. Quando isso tudo irá acabar? O Novo Testamento, na pessoa de Jesus, irá propor o Reino de Deus como alternativa contra os imperialismos que esmagam a vida do povo. (Vida Pastoral n.252, Paulus, 2007)

Salmo: 71, 1-2.7-8.10-11.12-13 (R. Cf.11)
As nações de toda a terra, hão de adorar-vos ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.

Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!

Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as nações hão de servi-lo.

Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.

Segunda Leitura: Carta de São Paulo aos Efésios 3,2-3a.5-6
                                          
Irmãos: Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho. - Palavra do Senhor.

Comentário: A carta aos Efésios é um texto que Paulo, ou um discípulo seu, escreveu para diversas comunidades das regiões próximas a Éfeso. As cópias desse texto deviam ser lidas pelos grupos cristãos das cidades vizinhas. Paulo não conheceu esses grupos. Ele só esteve em Éfeso, centro urbano importante daquela época (cf. At 19-20), onde fundou uma comunidade cristã. A estratégia pastoral de Paulo era atingir os grandes centros urbanos, fundar aí comunidades, deixando-lhes a responsabilidade de passar adiante a mensagem às comunidades da região. É a essas comunidades que ele escreve, a partir da prisão, tentando sintetizar para elas o projeto de Deus e o esforço que ele fez para dar continuidade a esse projeto.

Paulo não utiliza a palavra projeto de Deus. Prefere falar de mistério. Mas esse termo nada tem a ver com algo obscuro ou incompreensível. Pelo contrário, mistério corresponde à revelação do plano divino. Esse mistério se realizou através da prática e da pregação de Jesus, condensadas naquilo que Paulo chama de Evangelho. Pois bem, mediante esse Evangelho, todos são chamados à vida e à liberdade trazidas por Jesus. É disso que Paulo se torna anunciador e missionário, dedicando toda a vida à evangelização dos pagãos. Estes, pela adesão a Jesus, não são mais estrangeiros, mas concidadãos dos santos (os cristãos) e membros da família de Deus (2,19).

Com esses pressupostos, podemos entender melhor o texto que a liturgia de hoje oferece à nossa reflexão. Paulo afirma que a consciência desses pressupostos é graça de Deus a ele concedida em benefício dos pagãos (3,2). E a solidez dessa afirmação está no fato de que ele a recebeu diretamente de Deus, por revelação (v. 3), ou seja, a partir da experiência que Paulo fez de Jesus nas comunidades e a partir da contínua assimilação do projeto de Deus. Quem toma consciência disso se torna apóstolo e profeta, sob a ação do Espírito (v. 5) que suscita nos fiéis a contínua memória das ações e palavras de Jesus (cf. Jo 14,26).

As consequências disso são condensadas no v. 6: os pagãos são, a partir da prática de Jesus e de Paulo, co-herdeiros. Não mais Israel somente, nem só os judeus convertidos, mas todos são objeto do amor e da predileção de Deus, que os salva (herança). O projeto de Deus, portanto, é para todos. Os pagãos são membros do mesmo Corpo, ou seja, da Igreja. A comunidade cristã não está subordinada a uma raça ou nação. Excluir alguém seria pertencer a um corpo mutilado. Seria eliminar a Cabeça (Cristo), pois ele veio para todos (cf. Jo 10,10). Os pagãos são, finalmente, participantes da promessa em Cristo Jesus. A salvação é acessível, como oferta graciosa de Jesus, a todos, sem discriminação. Tudo isso é o projeto de Deus, condensado no Evangelho que Paulo se esforça por anunciar, apesar de estar preso. (Vida Pastoral n.252, Paulus, 2007)

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,1-12

Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”.

Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo”.

Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”.

Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.  Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho. - Palavra da Salvação.

Comentário: A simplicidade dos magos na sua busca do Messias é desconcertante. Bastou uma estrela, identificada como sendo dele, para que se pusessem a caminho. As dificuldades e os empecilhos foram todos relativizados. A falta de pistas consistentes não os amedrontou, nem o fato de terem de se dirigir a um país estrangeiro. No entanto, revelaram-se tão sinceros quanto ingênuos, pois, dirigiram-se, precisamente, ao terrível rei Herodes, para informar-se sobre o rei dos judeus que acabara de nascer. Este, intuindo tratar-se de um concorrente, poupou a vida dos magos, para garantir uma pista que o levasse ao rei recém-nascido, seu adversário. Mas os magos, absorvidos no seu projeto de encontrar o rei dos judeus, não perceberem a trama de Herodes. Por isso, seguiram fielmente as informações recebidas. Não importava. A chegada ao lugar onde estava o Menino Jesus foi o resultado de uma busca sincera. A alegria, que lhes encheu o coração, brotava da consciência de terem seguido a voz interior. Depois de longa caminhada, encontraram, finalmente, o rei dos judeus, pobrezinho e desprovido de sinais exteriores de dignidade. Mesmo assim, prostraram-se para adorá-lo. (Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta)

SANTO DO DIA: Solenidade

Epifania do Senhor

Fonte: CNBB - Missal Cotidiano (Paulus)
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