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Liturgia Diária Comentada 04/12/2016 Domingo 2ª Semana do Advento

2ª Semana do Advento - 2ª Semana do Saltério
Prefácio do Advento I - Ofício do dia
Cor: Roxo - Creio - Ano “A” Mateus


Antífona: Is 30, 19-30 Povo de Sião, o Senhor vem para salvar as nações! E, na alegria do vosso coração, soará majestosa a sua voz.

Oração do Dia: Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do Vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

Primeira Leitura: Livro do Profeta Isaías   11,1-10

Naqueles dias, nascerá uma haste do tronco de Jessé e, a partir da raiz, surgirá o rebento de uma flor; sobre ele repousará o espírito do Senhor: espírito de sabedoria e discernimento, espírito de conselho e fortaleza, espírito de ciência e temor de Deus; no temor do Senhor encontra ele seu prazer. Ele não julgará pelas aparências o que vê nem decidirá somente por ouvir dizer; mas trará justiça para os humildes e uma ordem justa para os homens pacíficos; fustigará a terra com a força da sua palavra e destruirá o mau com o sopro dos lábios. Cingirá a cintura com a correia da justiça e as costas com a faixa da fidelidade.

O lobo e o cordeiro viverão juntos e o leopardo deitar-se-á ao lado do cabrito; o bezerro e o leão comerão juntos e até mesmo uma criança poderá tangê-los. A vaca e o urso pastarão lado a lado, enquanto suas crias descansam juntas; o leão comerá palha como o boi; a criança de peito vai brincarem cima do buraco da cobra venenosa; e o menino desmamado não temerá pôr a mão na toca da serpente. Não haverá danos nem mortes por todo o meu santo monte: a terra estará tão repleta do saber do Senhor quanto as águas que cobrem o mar. Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como um sinal entre os povos; hão de buscá-la as nações, e gloriosa será a sua morada.  - Palavra do Senhor.

Comentário: Isaías depositava grande esperança no futuro rei. Com ele, a lei do mais forte vai acabar, pois tanto o rei como o país inteiro, todos vão defender os fracos. Deixaremos, então, de ser bichos uns para os outros. Isso resume o belo texto de Isaías, motivo de muitos cânticos de Advento. Isaías era familiar ao palácio de Acaz e conhecia bem seu filho Ezequias, em quem depositava grande confiança. Ezequias foi realmente um dos melhores reis de Judá, mas o poema de Isaías que expressa sua confiança nele vai muito além. A dinastia de Davi, o filho de Jessé, estava enfraquecida, quase liquidada diante do poderio crescente da Assíria. Falando em ramo familiar, o de Jessé estava reduzido a quase nada, a um toco cortado quase rente ao chão. Como de uma velha parreira decepada, do toco ou até das raízes, ainda pode surgir um broto novo, assim também surge aqui o broto novo do ramo familiar de Jessé. O Espírito do Senhor lhe dará as qualidades dos famosos antepassados, a sabedoria e a perspicácia de Salomão, as qualidades bélicas de prudência e ousadia de Davi, e ainda vai lhe acrescentar outras duas: o temor e o conhecimento de Javé. O próprio texto vai explicar o que é “temor de Javé”: é não julgar por interesses escusos (v. 3), mas fazer justiça aos fracos e castigar o opressor. “Conhecer Javé” Jeremias explica em 22,15-16. É praticar o direito e a justiça, fazer justiça ao humilde, ao indigente. Inspirado no temor de Javé, o novo rei vai acabar com a estória do lobo e do cordeiro, quando o mais forte sempre tem razão e sempre encontra um motivo para devorar o mais fraco. Então, “o lobo será hóspede do cordeiro, o leopardo vai se deitar ao lado do cabrito...”. As pessoas deixam de ser bichos umas para as outras. Inspirado no temor de Javé, ele vai usar de sua autoridade para fazer justiça ao fraco e reprimir o opressor. Assim, o resultado será que, não só ele, mas o país inteiro estará inundado do “conhecimento de Javé”, todos sabendo respeitar os direitos dos fracos. Aquilo em que o profeta foi além em seu poema ficou como esperança messiânica, esperança de um salvador definitivo para o porvir. Será que o Cristo já realizou isso? (Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus)

Salmo: 71(72),1-2.7-8.12-13.17 (R.cf 7)
Nos seus dias a justiça florirá.

Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! Com justiça ele governe o vosso povo, com equidade ele julgue os vossos pobres.

Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra!

Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará.

Seja bendito o seu nome para sempre! E que dure como o sol sua memória! Todos os povos serão nele abençoados, todas as gentes cantarão o seu louvor!

Segunda Leitura: Carta de São Paulo aos Romanos 15,4-9

Irmãos: tudo o que outrora foi escrito, foi escrito para nossa instrução, para que, pela nossa constância e pelo conforto espiritual das escrituras, tenhamos firme esperança. O Deus que dá constância e conforto vos dê a graça da harmonia e concórdia, uns com os outros, como ensina Cristo Jesus. Assim, tendo como que um só coração e a uma só voz, glorificareis o Deus e Pai do Senhor nosso, Jesus Cristo.

Por isso, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu, para a glória de Deus. Pois eu digo: Cristo tornou-se servo dos que praticam a circuncisão, para honrar a veracidade de Deus, confirmando as promessas feitas aos pais. Quanto aos pagãos, eles glorificam a Deus, em razão da sua misericórdia, como está escrito: "Por isso, eu vos glorificarei entre os pagãos e cantarei louvores ao vosso nome".  - Palavra do Senhor.

Comentário: Os cristãos judeus tinham sido expulsos de Roma. Agora, autorizados a voltar, retornavam para Roma e para as suas comunidades. Seriam bem recebidos pelos irmãos que não eram judeus? Essa situação é que nos dá o contexto geral da carta aos Romanos. Aqui, já na parte parenética ou nas recomendações finais, Paulo diz que é tempo de esperança, esperança fundamentada na palavra de Deus, nas Escrituras. Nelas, encontramos encorajamento e firmeza, palavras frequentemente traduzidas por “paciência” e “consolação”. O Deus do encorajamento e da firmeza é que deve levar os cristãos a ter um mesmo pensar, seguindo o Cristo Jesus. Só assim se podem superar as dificuldades de relacionamento entre os cristãos judeus que voltam e os cristãos gentios que ficaram. Só assim poderão participar unidos numa mesma celebração para louvar a Deus. A prática é essa mesma, saberem acolher uns aos outros, sem discriminação e sem preconceitos. Assim é que o Cristo nos acolhe. Ele se pôs a serviço dos judeus para realizar as esperanças consubstanciadas nas promessas contidas em suas Escrituras Sagradas. Nem por isso os não judeus, “gentios” ou “nações”, são esquecidos, pois as mesmas Escrituras os convidam também a louvar o Senhor. (Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus)

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 3,1-12

Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judéia: "Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo". João foi anunciado pelo profeta Isaias, que disse: "Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas!" João usava uma roupa feita de pelos de camelo e um cinturão de couro em torno dos rins; comia gafanhotos e mel do campo. Os moradores de Jerusalém, de toda a Judéia e de todos os lugares em volta do rio Jordão vinham ao encontro de João. Confessavam os seus pecados e João os batizava no rio Jordão. Quando viu muitos fariseus e saduceus vindo para o batismo, João disse-lhes:

"Raça de cobras venenosas, quem vos ensinou a fugir da ira que vai chegar?

Produzi frutos que provem a vossa conversão. Não penseis que basta dizer: 'Abraão é nosso pai', porque eu vos digo: até mesmo destas pedras Deus pode fazer nascer filhos de Abraão. O machado já está na raiz das árvores, e toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada no fogo. Eu vos batizo com água para a conversão, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. Eu nem sou digno de carregar suas sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo. Ele está com a pá na mão; ele vai limpar sua eira e recolher seu trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará no fogo que não se apaga". - Palavra da Salvação.

Comentários:

Estamos nos preparando não para a festa do Natal, mas para a chegada de Jesus, o Messias, o Salvador! O evangelho vai nos responder quem é esse que prepara os caminhos do Senhor, como é que ele vive, qual a sua mensagem. Aparece João Batista. Ele prega no deserto da Judeia, num lugar ermo e sem vida. Sua mensagem se resume em metanoia, a mudança de cabeça, mudança de mentalidade, a coragem de remar contra a corrente do pensamento dominante, a coragem de pensar e agir diferente. O motivo é que o reinado de Deus está chegando. O Evangelho de Mateus, sendo de cristãos judeus, fala de “céus” para substituir a palavra Deus, por respeito ao Nome. Quando diz reino dos céus, então, está dizendo reinado de Deus, mundo onde manda Deus, não o dinheiro ou um de seus súditos. João prepara os caminhos do Senhor. Sua figura é sua mensagem e já contrasta fortemente com o pensamento dominante do seu tempo, quanto mais o de hoje. Como o profeta Elias, ele veste uma roupa tecida de pelos de camelo, com uma cinta de couro. Seu alimento também não combina com os banquetes e as bebedeiras dos poderosos do seu tempo, nem do nosso Natal consumista. Ele prega a metanoia. Representantes de dois poderosos movimentos religiosos rivais – o dos fariseus, que dominavam a consciência do povo, e o dos saduceus, que comandavam o Templo e o sinédrio – vão à procura do batismo de João. Estarão também querendo mudar de mentalidade? João os aborda sem meios-termos: bando de cobras venenosas! A metanoia tem de ser efetiva, produzir resultados práticos; não é mero ritual, o batismo, para tentar enganar os outros, a si mesmo e a Deus! O título de filho de Abraão (ou de cristão) não dá isenção a ninguém, todos têm de mudar de mentalidade. Não adianta parecer uma árvore frondosa e bonita; o machado já está ao pé das árvores, e a que não estiver produzindo frutos vai ser cortada e jogada ao fogo. Frutos de verdadeira metanoia! Depois, João fala de Jesus. “Não sou digno de carregar suas sandálias” pode significar também: não mereço ficar no lugar dele, assumir a função dele. Como em Rt 4,7ss: o que desiste da tarefa e a passa a outro tira e lhe entrega a sandália. “O Espírito Santo e o fogo”, no contexto da comparação com o lavrador que abana o seu cereal, poderia significar “o vento e o fogo”, o vento que carrega a palha e o fogo que vai queimá-la. Jesus, que vem, é o último juiz da humanidade; ele separa o grão da palha, ele guarda o grão no seu celeiro e joga ao fogo a palha, o que não tem serventia. No final do capítulo 25 do mesmo evangelho, ele vai dizer: “Vinde, benditos” e “ide, malditos”.  (Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, Vida Pastoral nº 275, Paulus)

O apelo premente lançado por João Batista aos que se apresentavam para serem batizados exigia ser acolhido no mais íntimo do coração, onde a conversão deveria dar seus primeiros frutos. A preparação para acolher o Messias requeria dos crentes reformular seu modo de pensar e agir (metánoia), cujo sinal seria a predisposição a abandonar o caminho do mal e do pecado para trilhar o caminho do amor e da justiça. A figura austera do Batista e sua linguagem inflamada não davam margem para dúvida. Urgia converter-se sem demora, pois a manifestação do Reino corresponderia a uma espécie de juízo divino sobre a história humana. Num linguajar metafórico, anunciava que as árvores que não produzissem frutos bons seriam cortadas e jogadas no fogo. Quem não fosse capaz de produzir "frutos dignos de conversão" seria objeto da ira divina. Os escribas e saduceus que faziam parte do auditório, conhecidos por sua espiritualidade superficial, foram alvos das invectivas do Batista. Seu modo de proceder, falsamente piedoso, era desaconselhável. Deus não se deixa impressionar com exterioridades, pois perscruta os corações, onde espera encontrar sinais de conversão. A presença iminente do Messias exige uma pronta decisão. E a prudência pede que seja tomada sem demora. O Reino não se faz esperar. Quem recusa a se converter, será deixado de fora. O Messias Jesus, porém, quer acolher a todos. (Padre Jaldemir Vitório/Jesuíta)

Fonte: CNBB - Missal Cotidiano (Paulus)
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