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A Educação dos filhos - 1ª Parte - Santo Afonso (Igreja Católica)

O pai não deve permitir que suas filhas fiquem a sós com homens, sejam eles jovens ou velhos. Alguém dirá: “Este homem que cuida da minha filha, é um santo”. Os santos estão no Céu, porque os santos que estão na terra são carne e se estão próximos às ocasiões, podem converter-se em demônios.


Advertência aos pais

O Evangelho nos diz que uma boa árvore não produz mau fruto, e que uma árvore má não pode produzir fruto bom. O que aprendemos disto, é que um bom pai cria filhos bons. Porém, se os pais são fracos, como seus filhos podem ser virtuosos? Porventura – disse Nosso Senhor, no mesmo Evangelho – colhem-se uvas dos espinhos, ou figos dos abrolhos? (São Mateus 7,16). Assim é impossível, ou de fato muito difícil, encontrar filhos virtuosos, que foram criados por pais imorais. Pais, estejam atentos a este sermão, de grande importância para vossa salvação eterna e de vossos filhos. Estejam atentos, jovens, homens e mulheres que não escolheram ainda vosso estado de vida. Se desejarem casar, aprendam as obrigações que se adquirem na observância da formação de vossos filhos, e aprendam também que, se vós não observardes integralmente essas obrigações, terão sobre vós e sobre vossos filhos a condenação. Dividiremos isto em dois pontos. No primeiro, mostraremos a importância da formação dos hábitos da virtude nos filhos; e seguidamente mostraremos com que cuidado e diligência um pai deve trabalhar para que eles cresçam bem.

Educar na virtude

Um pai tem duas obrigações para com seus filhos: é obrigado a sustentá-los em suas necessidades corporais e de educá-los na virtude. Não é necessário estendermo-nos sobre a primeira obrigação, mas existem alguns pais que são mais cruéis que as mais ferozes bestas selvagens; aqueles que desperdiçam toda a sua fortuna ou bens em comer, beber e prazeres, e permitem que seus filhos morram de fome. Porém, discutiremos sobre a formação, que é a matéria de nosso artigo.

Certamente que a futura boa ou má conduta de um filho depende se ele tem sido criado bem ou mal. A natureza por si mesma ensina a cada pai a participar na educação de sua descendência. Deus dá os filhos aos pais, não para auxiliarem a família, mas para que cresçam no temor de Deus, e sejam conduzidos no caminho da salvação eterna. “Tenhamos, disse São João Crisóstomo, os filhos como precioso depósito; velemos por eles com grande cuidado”. Os filhos não foram outorgados aos pais como um presente, de que se pode dispor à vontade. Os filhos foram confiados, e por esta confiança, se se perderem por negligência, os pais deverão prestar contas a Deus.

Um grande Padre da Igreja disse que, no dia do juízo, os pais terão que prestar contas por todos os pecados de seus filhos (Nota: se entende os pecados derivados de uma má ou incompleta formação, pois há casos excepcionais de filhos muito bem educados e que, apesar disso, vivem como se não houvessem tido uma boa formação religiosa). Assim, aquele que ensina seu filho a viver no bem, terá uma feliz e tranquila morte. O que instrui seu filho... quando chegar a morte não sentirá pena, porque deixa aos seus um defensor frente a seus inimigos (Eclesiástico 30,3-6). E poderá salvar sua alma por meio de seus filhos, isto é, pela formação virtuosa que lhes deu. “[A mulher] se salvará mediante sua maternidade” (1 Timóteo 2,15).

Por outro lado, uma difícil e triste morte terão aqueles que somente trabalham para incrementar suas posições ou multiplicar as honras familiares, ou aqueles que só deixam a seus filhos a comodidade e os prazeres, e não lhes proporcionam valores morais. São Paulo disse que esses pais são piores que infiéis. Quem não tem cuidado com os seus, e principalmente dos da sua casa, negou a fé, e é pior do que um infiel (1 Timóteo 5,8).

Ainda que os pais levem uma vida de piedade, contínua oração e comunhão diária, estes virão a se condenar se, por negligência, descuidarem da educação de seus filhos (Nota: Santo Afonso enfatiza a educação moral dos filhos como um dever essencial. Um descuido nisto é de uma gravidade extrema que pode comprometer nossa salvação. Uma omissão neste sentido deverá ser confessada e reparada na maior medida possível, buscando ressarcir o dano causado por meio dos conselhos, do exemplo e da oração pelos filhos, para que alcancemos o perdão de Deus por tão grave dano).

Se todos os pais cumprissem com seu dever de vigiar a formação de seus filhos, teríamos pouquíssimos crimes. Pela má educação que os pais dão à sua descendência, fazem com que seus filhos, disse São João Crisóstomo, caiam em grandes vícios; e os entregam assim ao verdugo. Assim aconteceu em um povoado: um pai, que fora a causa de todas as irregularidades de seu filho, foi justamente castigado por seus crimes com grande severidade, mais ainda que seus filhos. Grande infortúnio é para os filhos ter pais viciosos, incapazes de inculcar em seus filhos o temor a Deus. Aqueles que veem seus filhos com más companhias e em brigas, e no lugar de corrigi-los e castigá-los, lhes tomam compaixão e dizem: “Que posso fazer? São jovens, espero que deixem isso quando amadurecerem”. Que palavras tão débeis; que educação tão cruel! Em verdade, esperam que quando os filhos amadureçam, cheguem a ser santos? Escutai o que disse Salomão: Mostrai ao menino o caminho que deve seguir, e nele se manterá ainda na velhice (Provérbios 22,6). Seus ossos, disse o santo Jó, serão preenchidos com os vícios de sua juventude, e dormirão com ele no pó (Jó 20,11). Quando um jovem vive com maus hábitos, os levará à tumba. As impurezas, blasfêmias e ódios, aos que se acostumou em sua juventude, o acompanharão até a tumba, e dormirão com ele até que seus ossos sejam reduzidos a cinzas. Corrija teu filho enquanto há esperança; senão, tu serás o responsável por sua morte (Provérbios 19,18). É muito simples, quando são pequenos, acostumar os filhos na virtude, mas quando chegam à madureza, se aprenderam os hábitos do vício, é igualmente difícil corrigi-los.

Vejamos o segundo ponto, que é sobre os meios para formar os filhos na prática da virtude. Rogo-lhes, pais de famílias, que recordeis o que agora vos digo: da formação depende a salvação eterna de vossas próprias almas e das almas de vossos filhos.

Corrija teu filho

São Paulo nos ensina em poucas palavras, no que consiste a correta educação católica dos filhos. Disse-nos que esta consiste na disciplina e correção. E vós, pais, não exaspereis a vossos filhos, mas educai-los na disciplina e correção do Senhor (Efésios 5,4). Disciplina é o mesmo que regulação religiosa da moral nas crianças, e implica uma obrigação de educá-las em hábitos de virtude, por meio da palavra e do exemplo. Esta foi a maneira com a qual Tobias educou seu pequeno filho. O pai lhe ensinou desde sua infância a temer a Deus e a afastar-se do pecado (Tobias 1,10). O sábio disse que um filho bem educado é o suporte e consolo de seu pai. Educa bem o teu filho, e ele consolar-te-á e será as delícias da tua alma (Provérbios 29,17). Assim como um filho bem formado é a alegria para a alma de seu pai, um filho ignorante é a fonte de tristeza para o coração de seu pai; a ignorância de suas obrigações como cristão sempre é seguida por uma má vida.

Conta-se que no ano de 1248, um sacerdote ignorante recebeu a ordem de fazer um discurso durante um sínodo. O sacerdote estava muito agitado por causa do mandado, e o diabo então lhe apareceu e disse-lhe:

Os chefes da treva infernal saúdam o chefe dos paroquianos, e lhe agradecem sua negligência na instrução das almas; já que da ignorância procedem às faltas e a condenação de muitos”.

O que deve ser ensinado aos filhos

A mesma verdade é para os pais negligentes. Um pai tem a obrigação de instruir seus filhos nas verdades da Fé, e particularmente nos quatro principais mistérios.

Primeiro, que há um Deus, o Criador e Senhor de todas as coisas;

Segundo, que este Deus é Juiz, quem, na outra vida, recompensará os bons com a glória eterna do Paraíso, e castigará os débeis para sempre nos tormentos do inferno;

Terceiro, o Mistério da Santíssima Trindade, isto é, que em Deus há Três Pessoas, Uno em Essência e Trino em Pessoas.

Quarto, o Mistério da Encarnação do Divino Verbo, o Filho de Deus, Deus verdadeiro, que se fez Homem no ventre puríssimo da Virgem Maria e que sofreu e morreu para nossa salvação.

Poderia ser admitida a escusa de um pai ou uma mãe que diz: “Eu mesmo não sei estes mistérios”? Pode um pecado justificar outro? Se sois ignorantes, então tendes a obrigação de aprendê-los [os mistérios], e em seguida ensiná-los aos vossos filhos. Ao menos mandai vossos filhos a um catequista digno. Que coisa tão miserável é ver os pais e as mães incapazes de instruir seus filhos e filhas na doutrina Cristã, empenhando-se em ocupações de pouca importância, e quando eles crescem, não sabem o significado de pecado mortal, de Inferno ou de eternidade. Não sabem sequer o Credo, o Padre Nosso, ou a Ave Maria, os quais todo o cristão é obrigado a aprender sob pena de pecado mortal.

Os pais religiosos não somente podem instruir seus filhos nestas coisas, que são as mais importantes, mas também podem ensinar-lhes o que se deve fazer em todas as manhãs. Ensinar-lhes primeiramente a agradecer a Deus por haver preservado sua vida durante a noite, e em segundo lugar oferecer a Deus todas as boas ações que farão e todos os sofrimentos que passarão durante o dia; também implorar a Jesus Cristo e a Nossa Santa Mãe Maria que os preserve de todo o pecado no decorrer do dia. Ensinar-lhes, ao anoitecer fazer um exame de consciência e um ato de contrição. Também lhes deve ensinar atos de Fé, Esperança e Caridade, a rezar o Rosário e a visitar o Santíssimo Sacramento. Alguns bons pais de família cuidam em obter um livro de meditações para lê-lo e ter oração mental comunitariamente meia hora por dia. É isto que o Espírito Santo nos exorta a praticar: “Tens filhos? Ensina-os bem... desde a infância” (Eclesiástico 7,25). Acostumam-lhes estes hábitos religiosos desde a infância e quando crescerem, eles perseverarão neles. Acostumam-lhes à confissão e comunhão semanal.

Atenção: Veja os tópicos que serão abordados na 2ª parte.

·         O exemplar ensinamento da mãe de São Luís
·         O exemplo arrasta
·         Evitar as ocasiões de pecado para nossos filhos
·         Corrijai-los como pais, não como carcereiros

Tradução: Carlos Wolkartt
Fonte: blog.christifidei.com
Foto retirada da internet caso seja o autor, por favor, entre em contato para citarmos o credito.

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Ricardo Feitosa e Marta Lúcia
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