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A Cruz de Caravaca

Um símbolo é uma representação sensível de uma realidade de ordem superior. Todo símbolo, dada a amplitude inerente à analogia, pode prestar-se a interpretações ambivalentes. Assim, a serpente é um animal criado por Deus, e como tal em si mesmo bom, como vemos em Gen, 1,25. No entanto, a serpente pode simbolizar o demônio, pelo seu modo sinuoso e pelo seu veneno, e sob esse aspecto é amaldiçoada em Gen, 3,14. Ainda, a serpente é símbolo de Cristo, e assim benéfica em Num, 21,9.

Do mesmo modo, a cruz, instrumento de suplício ignominioso, é para nós cristãos símbolo e penhor de salvação. "Arbor una nobilis", a mais nobre das árvores, é chamada a cruz na liturgia da Sexta-feira Santa, e saudada como o madeiro do qual pendeu a salvação do mundo.


A cruz de Caravaca, pela forma - com dois braços horizontais - é típica cruz patriarcal, a denotar sua origem oriental. Foi ao que parece, mesmo orginalmente, um relicário cruciforme, contendo um fragmento do verdadeiro lenho - uma relíquia da Santa Cruz de Cristo. É, assim, uma "Vera Cruz".

A devoção à Santa Cruz de Caravaca, no santuário homônimo em Múrcia, na Espanha, e em toda a Europa, esteve muito difundida nas Idades Média e Moderna. Também a narrativa legendária sobre seu transporte maravilhoso, ligado à conversão do taifa mourisco Ibn Hud, é tradicional. Grandes santos, como Santa Teresa de Ávila prestaram-lhe devoção, estando a cruz que lhe pertenceu num convento carmelita da Bélgica.

Em 1934 a cruz original desapareceu, roubada provavelmente por republicanos anticatólicos, tendo sido posteriormente restaurada com a doação, pelo Papa Pio XII, de dois fragmentos do verdadeiro lenho.

O Papa João Paulo II promulgou um jubileu a ser comemorado a cada sete anos. Sendo assim, sua veneração é perfeitamente regular e ortodoxa.

Maiores informações podem ser encontradas no site: corazones.org/lugares/espana/caravaca/caravaca.htm

Com a expansão colonial espanhola, a devoção à Cruz de Caravaca espalhou-se por todo o mundo hispânico, constando ainda que chegou ao Brasil trazida por Martim Afonso de Souza. Grandes divulgadores foram os jesuítas, que a levaram à Alemanha e Polônia, e, provavelmente, às Missões Jesuíticas dos sete povos, onde ainda existe - em São Miguel das Missões - um grande exemplar em pedra, ali conhecido como "Cruz Missioneira".

No entanto, no contato com povos pagãos, a devoção regular às vezes deturpou-se em sincretismo, com a confusão, em certas culturas, entre o sagrado e o mágico. É o que sucede, também, com a adoção de imagens de santos, no candomblé, para representar orixás dos cultos animistas, o que, evidentemente, nada tem a ver com a devoção católica legítima a esses mesmos santos.

A profanação, sempre pecaminosa, não desautoriza o culto regular, no qual a veneração dos santos, o uso de sacramentais e símbolos sagrados refere-se sempre à verdadeira adoração do Deus Único, como meios de aproximação da compreensão humana dos insondáveis Mistério da Trindade, da Encarnação e da Redenção. Portanto, a legitimidade da veneração da Cruz de Caravaca e uso das devoções a ela conexas está indissoluvelmente ligada ao culto católico regular. Qualquer emprego desse objeto sagrado como talismã, amuleto, ou como símbolo cabalístico em rituais mágicos de qualquer tipo está, evidentemente, vedado ao católico.

O uso regular de medalhas, imagens, bentinhos, fitas, etc., prende-se à profissão pública da fé católica, e serve primordialmente a estimular no portador a lembrança permanente de seu batismo e adesão à Igreja de Cristo, seu compromisso com a própria salvação e com o Evangelho, e a exortá-lo a emular as virtudes dos santos de sua devoção, que são o exemplo de vida por ele escolhido. Apenas nesse sentido é que eles são capazes de conferir-lhe proteção contra o Maligno, e não por qualquer "poder" que eles tenham em si mesmos.

Mesmo no caso de relíquias de venerável devoção – como é o caso do próprio Santo Lenho –, de objetos associados com uma promessa de graças especiais – como o Escapulário e a Medalha Milagrosa -, ou de locais, águas ou imagens com inegável histórico de incontáveis milagres – como é que sucede principalmente com centros marianos tais como Fátima, Lourdes, Guadalupe, Aparecida e outros -, deve-se entender sempre que tais suportes materiais são meros canais de manifestação da Graça Divina, manancial inesgotável cuja operatividade está na estrita dependência da disposição interior do seu destinatário.

Vitor Peregrino / montfort.org.br
Foto retirada da internet caso seja o autor, por favor, entre em contato para citarmos o credito.

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